25 fevereiro 2018

ela, nossa Luiza



Luluzinha, 

cerca de dois meses atrás, quando vocês entraram de férias, você simplesmente decidiu que não queria mais almoçar, nem jantar. A única condição para você fazer essas refeições foi estabelecida por você mesma sem meio termo: tinha que haver 80% de ovo envolvido. Podia ser ovo mexido, ovo frito, omelete e até mesmo uma fritada com alguns alimentos misturados. Mas sem ovo não havia refeição.

Fiquei logo preocupada. Como um bebê da sua idade poderia ficar sem as principais fontes de ferro? Não demorou até que agendássemos uma consulta à nutricionista e à pediatra. Ambas nos tranquilizaram e explicaram que era comum essa seleção na sua idade. Você está descobrindo que tem poder de decisão, que tem preferências, gosto próprio. É lindo de ver. Mas a beleza da fase não exclui toda a preocupação que tivemos com você neste período.

Felizmente, na última semana, um dia antes das suas aulas recomeçarem, você simplesmente, de um dia para o outro, voltou a aceitar os alimentos, que nunca deixamos de oferecer nestes dois meses. E agora come como se nada, simplesmente nada tivesse acontecido. rs

E embora as refeições tenham sido um problema, você não deixou de comer frutas, sua paixão, nem de comer queijos, iogurte, doces, biscoitos etc. Tivemos que cortar, inclusive, os doces do seu dia a dia. Você amava Danoninho, my fault, sorry. Tivemos que abrir mão dele na sua dieta e na dieta do Luquinha. Mas, acredite, foi melhor assim. 

A nutri também sugeriu que trocássemos os lanches doces, como biscoito de maizena e coisas parecidas, por opções salgadas. Fizemos isso, parece que deu certo. =) 

Antes de você nascer eu fiz terapia por um período e li alguns livros sobre a maternidade sob o ponto de vista da psicanálise. Neste período, entendi que por vezes criamos rótulos para nossos filhos, limitando-os de certa forma a ser o que esperamos que eles - vocês - sejam. Entendo que pode ser inevitável passar por esse processo, embora eu tente me controlar. E esse rodeio todo é para dizer que... nestes 22 meses de vida que você tem até agora, já demonstrou em inúmeras ocasiões que é decidida, sabe o que quer e não se dá por vencida facilmente. Eu já disse algumas vezes para as pessoas "neste mundo em que vivemos, ela, enquanto mulher, só tem a ganhar sendo assim". E é realmente o que eu acredito. Não sei como você será quando adulta, a gente muda tanto ao longo da vida, é praticamente impossível prever como um bebê será quando tiver 32 anos, a idade que tenho hoje.

Seja como for, o que eu desejo para você (hoje, amanhã, quando estiver lendo esse texto e para a vida inteira) é segurança, autoconfiança e que seja claro que tudo que precisa para ser feliz está aí dentro e não aqui fora.

No mais, eu te amo muito, muito, muito, muito!!! <3 <3 <3



Lulu está numa fase tão gostosa! Adora cantar, embora não fale muitas palavras ainda, distribui beijinhos para todo mundo que pede, é uma espoletinha, adora dançar, aprendeu a pular recentemente com os dois pés, é tão carinhosa e adora fazer palhaçada para todos rirmos. O cabelinho está crescendo e consigo fazer umas marias xiquinhas... Embora muitas pessoas discordem, ela me lembra tanto a mim mesma quando criança, pelas fotos que tenho da minha infância nessa fase. Espero que vc tenha acesso a elas, Lulu, para poder chegar às suas próprias conclusões. rs 

Essa semana tive o prazer de passar quatro dias na escola acompanhando a rotina dela de perto - e ainda ganhei de brinde encontrar Luquinha pelo corredor na hora do recreio todos os dias. Esse momento é simplesmente mágico para mim. Primeiro porque posso passar mais tempo perto deles, depois porque a escola por si só é um lugar com uma energia tão, mas tão boa!! Nitidamente Lulu lembrava de detalhes da escola, apesar de ter ficado mais de dois meses longe. E isso, é claro, facilitou a adaptação, o que, para mim, é um conforto. Saber que ela é tão feliz ali. :)

Dia desses eu pensei: acho que se eu tentar ela já topa dormir sozinha, sem eu precisar ficar no quarto. Cheguei a tentar, mas Luquinha me chamou e pediu para eu ficar ali até eles adormecerem. Como negar um pedido tão genial para todos nós? Para que apressar essa etapa, não é mesmo? Vou lá, fico com eles até dormirem, conto histórias, compartilho lembranças da minha vida, canto músicas, faço muito carinho... E é uma das sensações mais preciosas do meu dia!

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