26 novembro 2016

Por que somos melhores que eles?

Ontem fui dormir com esse texto da Tati Bernardi na cabeça. Pensando em quantas vezes eu concordei com ela, com exatamente tudinho que ela escreveu sobre essa geração "eu quero é ser feliz". Engraçado pensar que pelo conceito é tão óbvio que eles é que estão certos... Mas tem alguma coisa errada aí... Eles "querem" ser feliz... Mas não conseguem. Já viu esse filme antes?

A Tati, por um ano, não é da geração Millennium.. Eu sou... Sou seis anos mais nova que ela. Então, vamos supor que sejamos, de fato, de gerações diferentes, com pensamentos diferentes...

Tenho 31 anos, sou casada há oito, tenho um filho de cinco anos e uma de quase sete meses, sou gerente de comunicação em uma premiada agência do Rio de Janeiro, tenho pós-graduação em Marketing e trabalho com o que gosto, segui a mesma carreira da minha formação. Ser feliz no que faço é premissa básica. Nada é mais importante que isso. Trabalho oito horas por dia, de segunda a sexta e não é incomum ter que acompanhar algum evento nos finais de semana, ou após o expediente ter terminado. Não vejo nada demais nisso, para mim é normal. E, da mesma forma que a Tati pensa, eu acredito que foi justamente essa dedicação total ao que faço que me trouxe até onde estou.

Mas vamos aos fatos... Somos a "geração problemas psicológicos/psiquiátricos", temos depressão, síndrome do pânico, temos conflitos quase irremediáveis com nossos pais, provavelmente por dedicarmos a eles a culpa da nossa infelicidade. Morremos mais de doenças cardiovasculares do que de qualquer outra coisa. Quando saímos na rua, morremos de medo de sermos vítimas da violência. Mal sabemos que um mal bem mais grave nos persegue: a má alimentação, o estresse, o sedentarismo... Vão nos matando aos poucos, reduzindo diariamente nosso tempo aqui na Terra.

Será que essa geração que hoje está no mercado de estágios realmente está indo pelo caminho errado? Talvez eles queiram viver mais, ter mais qualidade de vida, ser mais do que ter, talvez não se importem tanto se compraram a casa própria, porque viajar é seu lema, conhecer pessoas, conhecer culturas... Cheio de frescuras com a alimentação... Mas será que se a gente tivesse tido a oportunidade de crescer com uma alimentação que englobasse menos batata frita e mais hamburguer vegetariano, não seria melhor?

É fácil taxá-los de chatos... Porque é esse sentimento que temos sobre eles no dia a dia. Mas se pararmos para pensar, por que consideramos que somos melhores, que nossa geração é mais feliz? É mesmo? Bem, eu sou feliz, mas posso falar com toda certeza que ser feliz dá trabalho pra caralho. Todos os dias as escolhas que eu faço me levam pra essa felicidade, que por vezes parece tão próxima e outras tão distante.

Eles têm que ser menos cri cri, menos teóricos e mais práticos, sim. Mas nós também precisamos mudar. Precisamos ser mais fieis ao que queremos, ao que acreditamos. Temos que viver, sim, mais o hoje e pensar menos no amanhã. Se a geração deles tem problemas, a nossa não está diferente. O mundo como está é prova disso, por somos maioria em todos os lugares. Talvez a lição no fim das contas é que temos muito o que aprender uns com os outros.    

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