20 maio 2016

Quando a viradinha de olho aparece...


Tivemos a primeira reunião na escola depois de terem começado as aulas, nessa semana. Fiquei extremamente triste de não ter participado da reunião, mas o Igor foi. Não pude ir porque em seguida haveria a comemoração do dia das mães e eu precisava priorizar o evento. Seria muito tempo para ficar longe da Luiza, que está mamando bastante. Então nos dividimos, Igor foi à reunião e eu fui à comemoração do dia das mães (que foi lindíssima, by the way... conto melhor no fim do post).

Cheguei no fim da reunião, a tempo de ver alguns vídeos do Luquinha em sala de aula e de pegar o relatório falando sobre seu comportamento no bimestre. Sobre isso... Luquinha tem uma turminha de amigos mais próximos, o que me deixa feliz demais e muito orgulhosa por ver que ele já tem amigos de verdade, com os quais tem uma afinidade, que gostam dele e que ele gosta! Ele e mais quatro se unem para brincadeiras que deixam a professora de cabelo em pé. Já havíamos percebido o comportamento deles cinco em festinhas da turma: brincam de bater, de pular, empurrar, abraçar até cair, socar etc. Já havíamos conversado com Luquinha algumas vezes, falando que não queremos que ele brinque assim, que ele pode machucar algum amigo, que a brincadeira é quase sempre inconveniente e que, apesar de alguns parecerem gostar, nem todo mundo gosta de brincar assim.

A professora explica que é normal, mas que também tem conversado com eles porque acredita que eles podem acabar se machucando. Eu, particularmente, não acho bacana brincar assim, com toda essa agressividade, mesmo que ela seja "recheada de carinho" (é perceptível que estão brincando e que se gostam muito... mas a brincadeira, ainda assim, é bem bruta).

Outros pontos que ela destacou foram: Luquinha facilmente perde a concentração, quando chega na sala vai direto brincar, em vez de fazer suas obrigações (que consistem em colocar o lanche e o copo d'água no lugar para depois ir brincar), tem facilidade em entender as regras, embora tenha igual facilidade em quebrá-las.

Eu e Igor lemos o relatório para ele em voz alta, que percebeu a censura em determinados pontos e se divertiu quando eram pontuações positivas. Ele é, de fato, muito carinhoso com as pessoas, e foi assim que a professora relatou sua relação com ele. Além disso, é obediente, embora se esqueça da regra rapidamente e volte a fazer algo pelo qual já havia sido chamado atenção. Imagino que não seja muito diferente da maioria das crianças e longe de mim querer doutriná-lo a ser qualquer coisa diferente do que é em sua essência. Mas acredito que há lições importantes a serem tiradas daí. A principal e mais importante para mim, e que faço questão de passar para ele, é que algumas regras existem para que a convivência em grupo possa se tornar possível.

Por isso, do momento em que saímos da comemoração do dia das mães até a hora de ir para a escola no dia seguinte, fiz questão de bater com ele os pontos principais que precisam ser avaliados no comportamento dele em sala de aula. Em determinado momento, enquanto estava jantando, Luquinha me deu a tradicional virada de olho, muito comum entre adolescentes, mas ainda não tão frequente entre crianças,

Você acredita? Não sabia se ria ou se chamava atenção. Na dúvida, brinquei com o assunto, sem deixar de mostrar que a virada de olho não era bacana, pois parecia que ele estava debochando do que eu estava falando. Ele riu e parece ter entendido que estava sendo debochado. Além da viradinha de olho, ele disse: "Você já falou isso muitas vezessss". Expliquei que vou repetir quantas vezes for preciso, porque assim como em casa, e na vida, temos regras que visam uma melhor convivência em sociedade. O mesmo acontece na escola e que não lhe custa atrasar a brincadeira em um minuto para que possa arrumar o lanche e o copo d'água; ou que é importante respeitar as regras sobre brincadeiras: se não pode chutar, é porque pode machucar. Se não pode bater, é porque pode machucar. E é por isso que devem evitar essas brincadeiras.

Depois fiquei pensando na virada de olho e achei graça pensando que nosso pequeno está crescendo. Nós sempre conversamos muito, mas cada dia mais ele tem se mostrado eloquente e com m vocabulário ímpar (destacado também pela professora). Argumenta, faz observações e expressa sua opinião, nos enchendo de orgulho.

Como relatei para a professora, fico feliz em receber um relatório com desafios reais. É claro que é sempre bom quando ele vem recheado de elogios, mas não é bem assim que as coisas são, certo? Ter elogios entre diversas pontuações sobre o que pode ser melhorado me parece mais real e concreto. Algo com o qual podemos trabalhar para continuar oferecendo a ele a segurança de que tem pais que se preocupam com o cidadão que estão ajudando a formar para o mundo. Toda criança aprecia essa segurança, embora virem os olhos e reclamem das regras.

;) Com percalços, sempre parece que estamos no caminho certo. Diferente de quando tudo parece perfeito demais.

Sobre a comemoração do dia das mães





Foi linda!!! As crianças cantaram uma música que eu nunca tinha ouvido antes, mas que tinha uma letra fofa e carinhosa, sobre como eles são apaixonados por nós. <3 A professora pediu que cada criança se posicionasse na frente de sua mãe e cantasse para ela a música, olhando nos olhos. Nem preciso dizer que surgiram lágrimas de emoção em todos os cantos. Depois da música, sentamos com as crianças para algumas atividades, como criar um quadro para expressar aquele momento (Luquinha fez a família completa. Certamente vamos emoldurar), plantar uma muda de flor juntos e ver juntos o álbum de família.

É mais do mesmo dizer que eu amo ser mãe. É realmente um sentimento único, algo inexplicável, daquelas coisas que só se sabe vivendo.

A maternidade mudou a maneira como enxergo minha mãe e até mesmo meu pai. Fez com que eu me projetasse nela e a projetasse em mim. Fez com que eu entendesse seus erros e admirasse ainda mais os seus acertos. Todas nós seremos igualmente julgadas por nossos filhos, que só entenderão nosso amor incondicional no momento que tiverem seus próprios filhos. Se não o tiverem, o que fazer? Talvez nunca entendam. Ainda assim os amaremos igualmente e para sempre. <3

Com um leve atraso de algumas semanas... feliz dia das mães! :)

2 comentários:

  1. Fofura Júlia!... O mundo real não é cor de rosa... É colorido e entre estas, tem o marrom, cinza e até o preto... Mas nos fortalece e faz-nos sentir vitoriosas algumas vezes!...❤️❤️❤️

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  2. Ahhh bem vinda ao clube!
    Vc descreveu o Benjamin e seus amigos.
    Ah essa viradinha de olho...aqui ela vem acompanhada Tb de uma frase: "mãe, eu já ouvi, vc já falou isso".
    Não é fácil!!!

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