27 abril 2016

Obrigada, marido, por NÃO me ajudar


Li esse texto no Facebook, compartilhado por uma amiga, e escrito por uma mãe, que é também autora e roteirista... Ou seja, o texto é BOM! ;) "Tragicômico", sobre como os pais se comportam frente às dificuldades do dia a dia com as crianças. "Mas eu te ajudo...", defendem-se. É nesta linha. Muito bom o texto, vale a leitura e vale seguir a página!

Mas a cada frase que eu lia, me identificava cada vez menos.

Sim, nem tudo são flores aqui em casa. Passamos pelos mesmos dilemas da maior parte dos casais: vivemos discutindo sobre quem faz mais, quem trabalha mais, quem está mais cansado e aí por diante. É muito difícil chegar a um vencedor porque é o tipo de coisa que não se mede. Se o trabalho dele requer mais energia física, o meu requer mais energia mental. Como medir? Se para cada hora de trabalho dele durante a madrugada equivale a meia hora minha de trabalho no horário comercial... Como medir? É uma discussão sem fim.

Ainda assim, esse lance de que ele me ajuda - ou de que eu o ajudo - não acontece aqui em casa. É muito natural a divisão de tarefas e, quando me afasto da situação para tentar analisá-la, vejo que é bem justo, na maior parte das vezes.

O Igor passa muito mais tempo com o Luquinha do que eu. É ele quem o busca no colégio, quem faz o almoço, quem o prepara para o sono da tarde, quem o leva para as atividades extra-curriculares, quem o leva ao médico - quando eu não posso estar... Quando eu chego em casa, assumo os cuidados, não só porque eu sei que o Igor já se dedicou 100% o dia inteiro ao Luquinha, mas porque eu estou com saudade do meu pequeno e quero fazer tudo juntinho, dar banho, dar o leite, colocar para dormir etc.

Ele não me ajuda, eu não o ajudo. Entendemos, naturalmente, nossos papéis. Entendemos que nosso filho precisa de nosso suporte, precisa da segurança que passamos, precisa entender que nós dois somos capazes de cuidar dele de maneira igual. É recorrente o Igor ver que estou exausta e vir me ajudar nas tarefas que assumo quando chego em casa. Não é ajuda, é solidariedade.

Eu admito, algumas vezes fico caçando coisas para reclamar do Igor quando converso com minhas amigas mães para não parecer que tenho o marido-pai perfeito... E é claro que não tenho, assim como não sou a esposa-mãe perfeita. Mas disso, especificamente, eu não posso reclamar.

Ainda sou eu quem assume o almoço do Luquinha quando estamos comendo fora. E ainda sou eu quem arruma a bolsa antes de sair, com o que podemos - ou não - precisar enqutanso estamos na rua. São resquícios de uma cultura machista de séculos. Mas, ainda assim, vejo evolução.

Talvez, quando idealizava o momento como pai, Igor tivesse essa postura. Talvez, nos primeiros meses de vida do Luquinha, Igor tivesse essa postura. Mas com o passar do tempo, e com nossa adaptação à vida nova, tudo se encaixou naturalmente.

Há diferenças. Hoje, eu entendo que o Igor precisa do espaço dele, precisa de um tempo para ir jogar seu futebol, para sair com os amigos, para dar sua corrida matinal... E estamos planejando nos estruturar para que tudo isso seja possível, mesmo com dois filhos. Imagino que se fosse o contrário, dificilmente um homem teria essa sensibilidade de perceber que sua esposa precisa desse tempo, de um tempo só para ela.

Mas eu sou bastante otimista. Percebo que as coisas estão mudando. Um pai como o Igor, que assume seu papel, independente da mãe, é cada vez mais comum. Na época dos meus pais, era muito raro. Na época dos meus avós, era uma aberração.

Ainda não sabemos como essa divisão de tarefas vai ser quando a Luiza nascer. Mas tivemos uma boa experiência com o Luquinha e acredito que vamos nos esforçar para encontrar a melhor fórmula. ;)

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