28 novembro 2015

Who's got the power?



Já há alguns anos venho reparando uma mudança muito interessante ao meu redor. Comecei observando aqui em casa e depois, ao observar as amigas ao meu redor, concluí que não era coisa da minha cabeça. Tem sido cada vez mais comum encontrar casais cujos homens ficam em casa mais tempo por ter um horário flexível no trabalho e mulheres que saem de casa de manhã e voltam só à noite.

Aqui em casa, o Igor trabalha por escala. E, com isso, passa grande parte do mês em casa com o Luquinha. Se um de nós dois tem a chance de buscá-lo na escola, levá-lo ao futebol, passear com ele à tarde dia de semana, esse alguém está longe de ser eu. Mas não são só os louros... Ele é responsável por preparar e dar a comida do Luquinha. Se fica doente, é ele quem cuida na maior parte do tempo. Ele que dá atenção, brinca e ensina também grande parte das coisas que o Luquinha tem aprendido. É prazeroso, mas é também cansativo. E quem vive tudo isso intensamente é o Igor!

No caso das amigas, um trabalha com eventos, outro é fotógrafo, outro é repórter, outro é empresário, outro é funcionário público e há, ainda, muitos outros exemplos. Mencionei somente os mais próximos de verdade.

E essa mudança tem trazido questões interessantes entre nossos papos. Basicamente, o assunto dessa semana foi "ele não entende que eu trabalho o dia inteiro e quando chego em casa, acha que eu tenho que ser ainda um primor de dona de casa".

É uma realidade conflituosa: ao mesmo tempo que todos têm em comum o orgulho de verem suas esposas ganhando espaço no mercado de trabalho, conquistando novos cargos e compromissos em suas carreiras, todos ainda acham que elas devem ser responsáveis por manter a casa limpa, arrumada, roupas cheirosas no armário, cozinha nos trinques e, é claro, devem ainda ser mães exemplares e estar em forma! Não se esqueça do tempo da academia!

A minha questão é: em que momento invertemos os papéis? Não era isso que as mulheres que ficavam - e ficam - a maior parte do tempo em casa esperam dos maridos? Porque é, sim, revoltante, a mulher ficar o dia inteiro em casa, cuidando das crianças, cuidando da comida e tudo mais, e ver o marido chegar do trabalho e sentar a bunda no sofá, achando que é obrigação da mulher cuidar de todo o resto...

E foi aí que eu me vi sem razão.

Quem tem o poder nessa história? Quem está certo? É difícil saber.

Enquanto mulher, reclamo sempre que não só meu marido, mas todos ao meu redor esperam que eu seja uma excelente profissional, uma mãe impecável, uma esposa exemplar e uma dona de casa ativa. Mas não era isso que nossas mães, tias e avós esperavam de nossos pais, tios e avôs? A diferença é que eles sempre cagaram para isso e não davam o menor valor às expectativas femininas.

Não sei muito, ainda estou em conflito com toda essa história. Mas me parece que não há ninguém certo, assim como não há ninguém errado nessa história aqui de casa.

Assim como o Igor espera que eu assuma os cuidados com o Luquinha e as pendências domésticas quando chego em casa, eu espero que ele entenda que eu estou cansada por ter trabalhado o dia inteiro e quero só curtir um tempo sem nenhuma obrigação.

Me parece, ainda, que, como na maioria das vezes, para solucionar a situação é preciso fazer o exercício de se colocar no lugar do outro. Tentar entender o quanto o outro está cansado, ceder se for necessário, e dialogar para se fazer entendida também.

A parte boa de toda a história é que hoje podemos conversar sobre isso, podemos dividir as tarefas, chegar a um acordo que seja benéfico para os dois. Coisa que minha avó não pôde fazer, por exemplo.

E eu acredito realmente que, depois de ambos desabafarem, falarem de suas angústias e de seus cansaços, chegaremos ao caminho do meio, onde todos saem ganhando!

Um comentário:

  1. Divisão de tarefas é a melhor solução, pq realmente não tem um errado. E quando se divide as coisas por fazer, cada um faz na sua hora e no seu tempo e não vale cobranças. Mas esse é um assunto constante lá em casa tb e acho que de todas as famílias. rsrsrs Mas acho que os homens evoluíram muito no que diz respeito a colaborar com os filhos e questões domésticas, o negócio ta parando de ser ajuda (pq não é) para ser parte do papel deles tb. Eu acho isso o máximo! Precisamos reconhecer os esforços deles.

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