06 outubro 2015

Reunião da escola e muitas coisas importantes


Sabe quando a gente está grávida e tem o prazer de fazer a ultra durante aqueles nove meses? A mesma sensação eu tenho quando vou à reunião da escola. Eu sei tudo o que acontece aqui dentro, eu imaginava e sentia quando estava grávida, e eu vejo no dia a dia com o Luquinha na vida aqui fora. Mas a reunião, assim como a ultra, é alguém de fora me falando sobre ele. É uma visão extra. Sabe aquela história de que nós somos o que somos, o que achamos que somos e o que os outros pensam que somos? Então, acho que eu gosto porque ouço de uma pessoa de fora a visão dela sobre meu filho.

E mais legal ainda que ouvir e saber de coisas sobre o Luquinha é identificar num grupo grande que todos os erros e acertos são compartilhados entre quase todas as famílias. Os mesmos, eu quero dizer.

É bacana ouvir de um especialista - no caso a professora dele que apesar de parecer nova tem muuitos anos de experiência - as atitudes esperadas para essa idade. E entender melhor se estamos no caminho certo educando. Saber que eles nessa idade são resistentes, nunca ouvem o que falamos, raramente atendem a um pedido nosso de primeira, e que todos começam a falar mais alto para conseguir a atenção, que eles acham que vão continuar tendo 100% para sempre... Traz um pouco de conforto. Diante da insanidade que o dia a dia traz, nem consigo pensar que não faz sentido isso acontecer só aqui em casa.

Mas, mesmo diante desse cenário que parece caótico por vezes, as considerações sobre o Luquinha especificamente só nos enchem de orgulho. Segundo o relatório, ele está sempre alegre e de bom humor, é uma criança amiga e que se dá bem com todos, atende os pedidos da professora e das auxiliares, não demonstra nenhuma resistência em realizar as tarefas do dia a dia e é obediente, mesmo quando demonstra agitação em alguns momentos. Nem parece esse rebelde sem causa que ele tem demonstrado ser nos últimos dias. kkkkkkkk

Dois temas importantes que foram abordados são frustração e consumismo. Sobre frustração, a professora nos alertou que é válido, sim, evitarmos algumas frustrações, as possíveis. Mas que não podemos evitar todas e que é importante que eles aprendam a conviver com elas desde já. Sobre consumismo, a professora aproveitou que o dia das crianças está chegando para tocar no assunto. Ela disse que na sala de aula eles estimulam que as crianças doem os brinquedos com os quais não brincam mais para cada brinquedo que ganharem nessa data. E que os pais poderiam fazer o mesmo em casa, ajudando as crianças a consumarem essa ideia.

Achei bem bacana! Nós sempre doamos todas as roupas e brinquedos do Luquinha. Mas é algo automático, nem sempre o consulto ou converso com ele sobre isso, apesar de já tê-lo envolvido algumas vezes.

Quando eu era criança, comprar brinquedos fora das datas era coisa de gente rica. E mesmo nas datas, era preciso ter dinheiro sobrando. Tudo era muito caro e muitas vezes inalcançável. Hoje é tudo muito mais acessível e essa acessibilidade faz com que a gente perca a noção de vez em quando. Tipo a geleca que é sete reais... vira e mexe compramos uma para ele, sem perceber que estamos passando valores diferentes do que realmente gostaríamos.

O mundo parece estar entrando em colapso e eu, particularmente, acredito que grande parte dos problemas que vivemos, desde os locais até os mundiais, são decorrentes dessa luta pelo ter. Já é hora  ou já passou da hora - de repensar a forma como lidamos com o consumo. É preciso consciência e é algo que pretendo trabalhar bastante não só em relação ao Luquinha, mas em relação a mim e a toda a família.

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