05 outubro 2015

Amor demais atrapalha?


Estou de férias há quase 30 dias. Luquinha comigo em todos eles. Ele me ama. E eu o amo infinitamente. Mas eu sei que ele é uma criança mais mimada quando está comigo. Quando eu tinha 18 anos, entendi pela primeira vez que isso acontecia, quando era baby sitter e passava o dia com crianças educadas e amáveis. Até o momento em que os pais delas chegavam e as crianças se transformavam, chorando por qualquer besteira e reclamando de tudo.

Nunca era culpa dos pais. De verdade. Eles eram atenciosos e educavam aquelas crianças com todo o amor e dedicação que podiam. E todo esse esforço tinha efeito, eu via durante o tempo em que passávamos juntos sozinhos. A questão é que as crianças queriam a atenção deles. E não importava a idade, todos encontravam no choro e nas reclamações a atenção que desejavam.

Às vezes me pergunto se os pais acreditavam que elas tinham sido boas crianças no período em que estávamos juntos, e se achavam que eram culpados pelas birras que presenciavam quando chegavam do trabalho.

Hoje, depois de alguns dias intensos com o Luquinha, de muitos choros e birras, eu me perguntei se estava fazendo alguma coisa de errado. Será que eu o mimo? Será que eu sou muito permissiva? Será que eu quero tanto que ele seja feliz, que eu o educo de forma errada? Todas as perguntas não faziam sentido quando eu pensava que, na verdade, estava me perguntando se amor demais atrapalha.

Nunca. Essa resposta é fácil.

Eu não sou permissiva. Sou paciente. Mais do que eu poderia imaginar, menos do que eu gostaria de ser. Também não acho que o educo de forma errada, modéstia à parte. Mas demorei algum tempo pensando em tudo isso até chegar à memória que mencionei no início deste post. Eu trabalho fora, fico sem vê-lo diariamente praticamente o dia inteiro. Tudo o que eu tenho são os finais de semana. E as férias.

Ele acorda e me chama, ele não quer que ninguém mais faça o leite dele, ele não cumprimenta os avós, os tios, se esconde atrás de mim. Ele chora por tudo, nada do que eu peço para ele é feito de imediato, Eu preciso negociar o tempo todo ou simplesmente mandar e vê-lo fazer o que mandei aos prantos e indignado. É muito difícil e cansativo.

Mas quando estamos em casa, só nós dois, com a minha atenção 100% voltada para ele, vira um anjo novamente. Bem humorado, engraçado, bem disposto, cheio de energia e sorrisos.

E nessa hora eu entendo que ele está agindo como toda criança. Ele não sabe explicar que sente minha falta, que me quer por perto, que sabe que eu vou voltar a trabalhar e, por isso, quer cada segundo da minha atenção que pode ter.

Eu não sei exatamente como lidar com tudo isso. Mesmo agora, que consegui entender parte de suas atitudes, não sei bem como orientar essa situação para que todos possamos tirar o melhor proveito dessa história.

Mas uma coisa eu já tinha e continuo tendo certeza. Amor demais nunca nunca nunca atrapalha. Foi esse amor que clareou as ideias e é ele que me guiará a fazer as melhores escolhas sempre.

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