10 abril 2015

#EscolhaLiberdade





Hoje, mais cedo, vi um post do The Guardian sobre a nova campanha da Dove, #choosebeautiful. Li o artigo inteiro, que explicava:

Dove fez uma pesquisa com mulheres que deveriam escolher se achavam que eram bonitas ou na média. A maioria escolheu "na média". Dove não está satisfeita, quer que todas as mulheres se achem bonitas. 

Lindo, né? Só que não... O cara que escreveu o artigo não acha, e eu concordo com ele.

Nunca me achei bonita, mas também nunca me achei feia. Mesmo tendo certeza que eu escolheria "na média" no teste de Dove, isso nunca foi um problema para mim. Sou uma das pessoas com auto estima mais alta que conheço. Sempre tive muita confiança no meu, digamos, sex appeal, e me acho super bem resolvida nessa questão. Modéstia me falta neste caso, auto estima, jamais.

Mas aí eu lhe pergunto: e daí? Qual é o problema em não ser bonita? Dove, eu seria menos por não achar que eu estou dentro dos padrões de beleza? Porque eles existem, é uma questão de estética, de métricas e simetrias. Tudo bem isso existir. O que não pode é uma empresa do tamanho de Dove nos fazer acreditar que precisamos nos achar bonitas para nos sentirmos bem. Fala sério, Dove... Em pleno século XXI?!

A gente cresce e entende porque os caras bonitos nem sempre estão com as mulheres bonitas. E para de julgar aquela amiga linda que ficou com um cara que não é tão lindo quanto ela. Sabe por quê? Porque isso não faz a menor diferença. Porque o que importa mesmo é se a conversa flui, se a química existe, se o jogo de sedução funciona, se há afinidade, se os princípios são os mesmos...

Beleza, como diz minha avó (e olha que ela é da primeira metade do século passado), não põe mesa. Metaforicamente, que fique claro, porque ninguém está dizendo que o homem ou a mulher são obrigados a fazer as tarefas de casa, ok, Dove?

Ah, e só para eu não esquecer. Eu tenho muita pena do rumo que tomou a palavra empoderamento". Eu não sei se vocês perceberam, mas ela é usada indiscriminadamente para nos fazer acreditar em um poder que ninguém parece querer que a gente tenha.



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