25 julho 2014

Tataravó

Minha bisa faleceu, tataravó do Luquinha. Tivemos a chance de encontrá-la e passar alguns dias juntos no último Natal, na casa da minha avó, quando reunimos grande parte da família por parte da minha mãe. Foi muito animado e foi bom ver que ela estava lá, inteirona, com quase cem anos. 

Ela faleceu conversando com meu tio, até o último minuto. Que paz. 

Trabalhou a vida quase inteira. Era artista de circo. Depois virou parteira e, depois, enfermeira, quando continuou fazendo partos. Ela, aliás, que fez o meu parto, há 29 anos e alguns meses. Meio brasileira, meio argentina, falava fluentemente as duas línguas. 

Hoje, conversando com minha avó, ela contou que a bisa deixou um caderno. Eu adoro estes cadernos. Uma espécie de diário, sem ser diário. Ela escreveu um pouco sobre sua vida. Tão mágico. Não vejo a hora de ir à casa da minha avó para ler as coisas que ela escreveu. 

Que o céu esteja em festa para recebê-la!

15 julho 2014

Mais eu do que Lulu - Parte II {ou, desta vez, o mesmo de nós dois}


Este livro está mesmo me inspirando... Hoje, na hora do almoço - em vez de ficar uma hora num restaurante, entre me servir, procurar mesa, comer, bater papo... O que é sempre ótimo, mas estava precisando diminuir o ritmo -, almocei rapidamente na copa da empresa e fui para a Casa Ruy Barbosa aproveitar o resto do meu tempo livre.

{a Casa Ruy Barbosa é um espaço em Botafogo delicioso para quem quer fugir do barulho da cidade grande... no meio da São Clemente, uma das ruas mais movimentadas do bairro, você entra neste espaço, caminha um pouco e vai dar justamente no meio do quarteirão, num super silêncio, com um jardim lindo, cheio de árvores e passarinhos}

Fique lá por 40 minutos. Suficientes para eu relaxar, recarregar a energia e ter uma tarde ótima e produtiva no trabalho!

Enquanto estava sentada, aproveitando o clima de inverno do Rio de Janeiro, com aquele solzinho gostoso, peguei o livro da bolsa e li mais um capítulo: sobre os filhos, desta vez. E foi inspirador demais.

Luquinha está com dois anos e sete meses, uma fase deliciosa, mas às vezes bem difícil. Quando ele cisma com alguma coisa, sai de baixo. Às vezes me pergunto se estamos acertando na forma como lidamos com essas questões. Mas aí leio textos como este de hoje e vejo que não há 100% de acertos, mas também não há 100% de erros. A gente vai aprendendo, junto com eles, todos os dias (que não nos ouçam, pois é preciso que eles pensem, por muito tempo, que sabemos de tudo rs).

Uma das coisas que a autora fala é sobre como é importante mostrar às crianças que sabemos o que elas estão sentindo. E, neste momento, ela dá algumas dicas de como passou a fazer com suas filhas. Alguns pontos que achei interessante:

nem sempre temos que falar alguma coisa às vezes um abraço e carinho por alguns minutos, para acalmar nossos pequenos, é suficiente. Eu disse aqui, há pouco tempo, que não conseguia imaginar como um abraço num momento de explosão poderia ajudar de qualquer forma. Hoje eu já sei. Há alguns dias me vi justamente nesta situação. Nada no mundo fazia o Lucas parar de chorar. Eu simplesmente não sabia mais o que fazer para a manha acabar. Ela estava me enlouquecendo. Eu abaixei, dei um abraço nele e comecei a fazer carinho em sua cabeça. Em pouco tempo ele parou, secou as lágrimas e agiu como se nenhum choro tivesse acontecido. Vivendo e aprendendo.

admita que há certas coisas que são difíceis Em vez de falar, "vamos, filho, nem está tão frio", falar "filho, eu sei que está frio e que você gostaria de ficar mais tempo na cama, mas nós precisamos nos apressar para não chegarmos atrasados na escola".

Eu sei que falando assim parece ser tão simples, mas muitas vezes no calor do momento tudo o que conseguimos fazer é perder a cabeça.

No mais, ela falou muito sobre tirar um tempo para se divertir com os filhos. E isso eu faço, com muito orgulho! :) Desde que voltei a trabalhar, tenho claro na minha cabeça que nosso tempo é curto, então deve ser bem aproveitado. Então, quando chego em casa, vou direto para o quarto dele para brincarmos. Brincamos, dançamos... Depois eu mesma faço questão de colocar em prática toda a rotina da hora de dormir, incluindo, preparar a cama, fazer o mama, colocar o desenho, desligar o desenho, escovar os dentes, ler uma história, rezar e dar muitos beijinhos de boa noite.

No dia seguinte, de manhã, no curto período que temos antes de ir para a escola, também faço questão de transformar num momento agradável! Ultimamente, melhorei ainda mais este nosso momento quando passei a levá-lo para a escola andando, em vez de irmos de carro. Temos que sair de casa um pouco mais cedo, mas vale cada minuto!

Nem sempre é fácil. A vida é muito corrida, inúmeras vezes eu chego em casa exausta, mas me esforço para manter nossa rotina como ela deve ser. E é claro que tem um dia ou outro que simplesmente não tenho forças, então ligo a TV e ficamos assistindo juntos.

O que importa é o que fazemos na maioria das vezes, para que ele lembre destes momentos com ternura, para que ele sinta que ele tem toda a minha atenção, até quando não estamos juntos. =)

Eu gosto de ler coisas assim, de ouvir dicas interessantes de como lidar com estes momentos difíceis que chegam com os dois anos. De saber o que falar, o que fazer... Não é mais como no início, quando o Lucas nasceu, que eu achava que todo mundo estava certo em suas opiniões, e também não é como a fase que veio depois, quando eu achava que não devia escutar conselhos de ninguém. A gente vai amadurecendo e encontrando os conselhos que têm a ver com nossa maneira de pensar, nosso jeito de ser.

E resolver as coisas sem agressividade, com base em teorias que se justificam, tem a ver com o meu jeito de ser. :)

14 julho 2014

Mais eu do que Lulu - Parte I


Luquinha é o centro deste blog. Sempre foi, sempre será. Mas tenho vivido um momento muito "eu", pelo menos quando se trata de "escrever sobre". Por isso este blog tem andado meio abandonado. E este blog aqui tem andado mais agitado... E (se você parou para dar uma lidinha nos posts mais recentes do Endorfina vai entender o que estou falando) este livro, The Happiness Project tem me inspirado demais. Tanto que estou empenhada em terminar esta leitura ainda em julho (se eu tivesse mais tempo, terminaria em dois dias, mas essa nossa vida atribulada não permite tanto tempo livre para leitura). E, paralelamente, voltei a ler a 3a edição de 1Q84... Estou na metade, não vejo a hora de terminar e descobrir as respostas de todos os mistérios.

Mas, voltando... Todos os dias, quando tiro cinco minutos para escrever no Lulu&Eu, acabo desistindo. Porque não estou a fim de escrever sobre como ele tem chorado para ir para a escola, ou sobre como sou apaixonada por ele (porque sou, cada dia mais, demais mesmo, é quase um amor cego rs). Não sinto mais vontade de contar sobre como os detalhes do crescimento dele, porque cada dia mais sinto que estou invadindo sua privacidade. Os amigos dele realmente precisam saber, no futuro, que ele tinha problemas de prisão de ventre na época do desfralde? Sei lá, é o tipo de coisa que vem à minha mente.

E aí eu escrevo dois parágrafos, apago tudo e deixo para depois.

E aí me vem a inspiração de escrever sobre como eu lidei com uma frustração na minha vida, mas penso... O Lulu&Eu não é sobre minha vida pessoal. É sobre minha vida com o Luquinha....

Enfim, acho que estou (já há algum tempo) com uma crise de identidade em relação ao blog. Eu amo ter criado ele, eu amo ter escrito tudo o que escrevi até hoje e realmente fico feliz de poder ter estas recordações todas, com tantos detalhes sobre o Luquinha. E, de verdade, quero continuar tendo. Quero saber como foi que ele reagiu quando me encontrou depois de passar dias sem me ver devido a uma viagem a trabalho (ele ria sem parar, só para constar... rs Fui busca-lo na escola antes do horário da saída e ele ria feito bobo, todo feliz!!!).

Essas coisas me interessam. Ter riqueza de detalhes sobre como o Luquinha é carinhoso nesta idade, como ele pega no meu rosto e olha nos meus olhos, como ele vem para mim às vezes, do nada, e diz que me ama com aquela voz dengosa, como ele, esperto, me chama depois que eu saí do quarto na hora de dormir e diz "te ama" rs (porque dizemos sempre "a mamãe te ama", "o papai te ama".. ).

Mas, ultimamente, a minha vontade mesmo é de escrever sobre como eu quero fazer algo importante para o mundo. Como eu quero valorizar minha profissão, saber que eu sugiro minhas pautas pensando num bem maior, pensando em realmente informar as pessoas sobre os direitos que elas têm quando o assunto é saúde. Tenho vontade de escrever sobre como amadureci no casamento, sobre como hoje eu sei quando recuar e sei quando devo dar um abraço apertado no meu marido e dizer palavras doces em vez de falar "você está fazendo isso DE NOVO?!?!".

Bem, a verdade é que eu preciso me encontrar. Manter os dois blogs atualizados é uma opção, mas eu realmente quero que as pessoas leiam os posts, quero que elas comentem, compartilhem as ideias, dividam suas opiniões.

E, neste ponto, o Lulu&Eu já atingiu uma maturidade que o Endorfina está longe de atingir. Além disso, não quero abandonar os posts sobre o Lucas. Ficou claro ali nos parágrafos acima como eu ainda tenho paixão ao falar sobre as coisas lindas que ele faz e como é bom dividir isso com os outros.


Ai ai, caso ou compro uma bicicleta?

rs A parte boa é que se trata de um blog, não de uma coluna numa revista. Eu posso decidir, as regras são minhas. Se eu não entreguei o texto no prazo, o azar é meu e somente meu. Se eu falei demais, a decisão é minha, só minha. ;) Liberdade é bom.

Mas liberdade demais é ruim. Hahahaha Um mínimo de comprometimento com o blog, por favor, né, Julia?!

Bem, comecei, me perdi, dei voltas, mas me encontrei. Como estava dizendo no início do post, o Lucas era, é e sempre será o tema central deste blog. Mas vou tirar proveito do nome que eu escolhi para focar um pouco na parte do "eu". Em breve, cenas do próximo capítulo. Porque agora estou com sono e tenho que acordar cedo para correr amanhã. :)