22 novembro 2012

Dia Nacional de Combate ao Câncer da Pele - último sábado de novembro


Desde que comecei a trabalhar com assessoria de imprensa, há quase sete anos, me envolvi com a divulgação especializada em saúde. Até comentei sobre as empresas que atendo atualmente pela Approach aqui neste post.

Sempre brinco que tenho a fórmula de uma vida saudável: alimentação, água, atividade física e proteção solar. E não é? Tem gente que acha que é frescura, mas o câncer de pele é o tumor que mais atinge brasileiros. E, na maioria dos casos, ele poderia ter sido evitado. 

Sim, protetor solar é caro. Mas ficar exposto o dia inteiro também é, só que o preço se paga depois. 

Mesmo sem usar protetor solar, é possível se proteger: guarda-sol, sombra, boné, viseira e até roupa! 

Com protetor solar, as coisas ficam ainda melhores, é claro. No caso das crianças, tem que usar sempre! Elas não são responsáveis ainda por isso, então nós temos que garantir que elas estarão protegidas! 

Neste sábado, haverá uma ação com atendimento gratuito para diagnóstico e tratamento do câncer da pele em todo o Brasil. Para saber o posto mais próximo de sua casa, basta acessar o site www.sbd.org.br ou ligar para 0800-7013187.

Mais informações no release abaixo, que produzimos pela Approach.

               
DIA NACIONAL DE COMBATE AO CÂNCER DA PELE
CRIADO PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA (SBD) A FIM DE REDUZIR NÚMEROS DA DOENÇA NO BRASIL

Celebrado sempre no último sábado de novembro, o dia contemplará atividades em postos de saúde de todo o País e mutirão de atendimento gratuito realizado pelos médicos da SBD. Mote da ação deste ano será “Evite o câncer da pele: faça exame preventivo gratuito”

No dia 24 de novembro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) celebrará o “Dia Nacional de Combate ao Câncer da Pele” — com ações que se repetirão anualmente sempre no último sábado de novembro. A data foi criada a fim de solidificar as ações da instituição contra a doença. Anualmente, há treze anos consecutivos, a entidade, neste dia, realiza o Exame Preventivo Gratuito contra o câncer da pele, no qual já foram atendidas mais de 420 mil pessoas.

Em 2012, a SBD disponibilizará, mais uma vez, cerca de 1500 médicos voluntários, além de outros milhares de profissionais da área de saúde, que realizarão atendimento gratuito em 25 dos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Serão, ao todo, 144 postos em todo o país que realizarão atendimento simultâneo para análise, diagnóstico e tratamento da doença, das 9h às 15h, ininterruptamente, em hospitais públicos credenciados, postos de saúde e tendas montadas em pontos de grande circulação. Nos postos, também estão previstas atividades educativas, como aulas expositivas sobre fotoproteção e sobre como suspeitar do câncer da pele.

“Precisamos de uma nova abordagem e da mobilização de toda a sociedade, não apenas dos envolvidos no setor de saúde. Só assim conseguiremos reforçar a importância do exame preventivo. Nós já sabemos o que causa o câncer da pele e quem pode ter, portanto o exame é importante principalmente para os pacientes de risco”, explica Dr. Marcus Maia, coordenador do Programa Nacional de Controle do Câncer da Pele. Ele reforça ainda que todos os brasileiros estão convidados a ir aos postos para exame preventivo gratuito neste dia. Contudo, a presença dos pacientes de risco é fundamental. São eles:

Ø  Têm caso de câncer da pele na família;
Ø  Pele muito clara que sempre fica vermelha e nunca bronzeia;
Ø  Cabelos claros;
Ø  Olhos claros;
Ø  Possuem muitas pintas pelo corpo;
Ø  Já sofreram queimaduras pelo sol;
Ø  Possuem sardas na face e/ou ombros;
Ø  Já tiveram câncer da pele;
Ø  Tomaram muito sol sem proteção;
Ø  Possuem uma pinta que esta mudando de cor;
Ø  Possuem uma “feridinha” que não cicatriza;
Ø  Idosos.

Obs. Qualquer um dos fatores citados acima é motivo para comparecer ao exame preventivo.

A presidente da SBD, Dra. Bogdana Victória Kadunc, ressalta a importância da ação no país, reforçando que ela está entre as mais importantes ações sociais da SBD e que, hoje, a entidade precisa que outros também abracem a causa, como forma de ampliar seu poder de mobilização.

“Ao longo de 13 anos, ela vem se tornando cada vez mais abrangente, e mobiliza dermatologistas de todo o país. Esta mobilização exige esforços e um esquema logístico bastante complexo, que são compensados pelo alto número de pacientes examinados e principalmente pelo fato de conseguirmos proporcionar o tratamento necessário àqueles atingidos pela doença”, comenta a presidente, lembrando que pacientes atendidos pelas equipes médicas que apresentem suspeita de câncer da pele serão encaminhados para tratamento totalmente gratuito.

Os endereços dos locais de atendimento poderão ser consultados pelo site da SBD (www.sbd.org.br), e também gratuitamente pelo número 0800-7013187 (que estará ativo de 05/11 a 24/11).

Os números do câncer da pele

Em 2011, a ação de Combate ao Câncer da Pele da SBD atendeu a 31.697 pessoas, sendo que as mulheres foram maioria, com cerca de 20 mil atendimentos (60,75%). Participaram da ação de conscientização da SBD quase quatro mil médicos em 151 postos de saúde do País. Do total de pessoas examinadas, 61,76% confessaram tomar sol sem qualquer proteção e 12,51% foram diagnosticadas com câncer da pele.

No âmbito nacional, mais de 300 indivíduos, o que corresponde a 1% do total, apresentaram melanomas malignos — considerado o câncer da pele mais perigoso, pois está associado a metástases e, consequentemente, a maiores índices de letalidade. O diagnóstico precoce é determinante para garantir a sobrevida nestes casos e assegurar a escolha do tratamento mais eficaz.

No Brasil, de acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o câncer da pele ainda é o tumor que mais atinge brasileiros, representando 25% de todos os tumores malignos. São estimados pelo Instituto 134.170 novos casos para 2012, sendo a maioria para mulheres (71.490).

Outras informações

Para mais informações sobre os postos de atendimento em atividade no dia 24 de novembro, ligue 0800-7013187 ou acesse o site da Sociedade Brasileira de Dermatologia (www.sbd.org.br).

19 novembro 2012

hoje

Hoje Luquinha teve uma noite péssima, so did I! Estava com gases, eu acho, porque chorava toda vez que sua barriga fazia mtoooo barulho!! Parecia que tinha um monstro dentro dela, tadinho! Daí dei Luftal no meio da madrugada e ele melhorou um pouco, mas toda hora dava uma gemidinha! =( Ficou assim até de manhã, quando o despertador tocou e acordamos juntos. Ele chorava tanto, que era de dar dó! Eu tinha que estar na Barra às 7h30 e, para isso, sair de casa às 6h30. O despertador tocou às 6h! Ele chorava tanto que eu não consegui deixá-lo sozinho, não consegui tomar banho e tive que me arrumar com ele no colo. Cheguei a pensar em não ir na gravação que havia marcado no trabalho, explicando que ele não estava se sentindo bem. Mas era uma gravação importante (quando for ao ar conto para vocês) e era importante estar lá. Consegui me arrumar com ele no colo, fui buscar minha sogra, porque àquela hora a creche não estava aberta e os deixei aqui em casa de novo. Ela o deixaria na creche na hora certa.

Depois do almoço dele, liguei para saber como estavam as coisas e as tias disseram que estava tudo bem. Consegui chegar em casa um pouco mais cedo e buscá-lo! É a terceira vez que eu vou buscá-lo. Tão bom ver aquele sorriso quando nossos olhares se encontram! Não tem preço!!!** Ainda mais que ele estava todo cheirosinho e gostosinho!!

Saindo da creche, encontramos MUITO POR ACASO uma graaaaaaaaaaaaaaaaande amiga, Cacauzinha! Sabe aquelas coisas que acontecem porque TÊM que acontecer! A Cacau é uma amigona minha que mora em SP, mas seu sogro e sogra moram no mesmo bairro que eu aqui no RJ. Eu sabia que ela estaria na cidade por causa do feriado, tínhamos combinado de nos encontrar no domingo, mas acabamos não encontrando e nem chegamos a nos falar para desmarcar. E aí hoje, bem na hora que estou atravessando a rua, ela passa de carro e dá um berro! Foi muito bom encontrá-la! Um encontro rápido, mas FELIZ! :)

Viemos para casa e acabei saindo com Luquinha novamente porque meus compadres, os padrinhos do Luquinha, Aline e Luismar, me chamaram para jantar! Eles são uns fofos e ficam preocupados quando meu marido viaja achando que eu vou passar fome porque eu não entro na cozinha por nada nesse mundo. Aí me chamam para almoçar, jantar... Eu vou, mais pela companhia do que pelo jantar em si! Porque eu ficaria sem jantar tranquilamente. Mas a companhia é muito boa e sempre vale a pena! Hoje o cardápio foi especial! Aline viu uma receita de couve-flor recheada. Nooooossa! Delícia! Obrigada, Aline!!! :)

Chegamos em casa, dei o mama do pequeno, dei o remedinho do refluxo, coloquei sorinho no nariz porque está com catarrinho e dei o Luftal, prevendo mais uma noite de dor. Espero que seja uma noite mais agradável para meu pequeno!

 ** Cheguei em casa cansada. Tudo o que eu queria era deitar, sem fazer nada. E foi exatamente o que eu fiz. Deitei, liguei a TV e coloquei num canal de séries americanas. Estava passando uma bobinha, exatamente como eu queria que estivesse. E eu fiquei ali, por pouco mais de 30 minutos, encarando a TV, às vezes prestando atenção, às vezes não. Quando saí para buscar o Luquinha, estava um dia lindo! Ventando um vento gostoso, com o céu todo limpo, um final de tarde, as árvores bem verdes, coisas da primavera. Busquei Luquinha e vim curtindo cada milésimo de segundo daquele momento raro! Nós dois caminhando juntos para casa, ele olhando os carros passando, exatamente a cena que eu sempre imagino quando meu marido o busca e me conta como foi a volta para casa. Luquinha encantado com os carros que passam na rua, com as pessoas andando, com as flores penduradas nas árvores. Cada sorriso... é tão gostoso!!! Eu sei que o tempo passa rápido, mas eu sinto, eu sei, o valor que a gente dá a momentos como esses é o que vai fazer com que a gente fique tranquila ao ver o tempo voar. Ele voa mesmo. O que a gente pode fazer de melhor é vivê-lo!

18 novembro 2012

Meu tempo precioso

Eu já falei no blog uma vez sobre o quanto eu amo ter tempo para brincar com o Luquinha antes de sair para trabalhar e quando eu chego! O tempo ficou mais curto quando eu chego depois que a creche começou, porque ele tem ficado com sono cedo. Então, o tempo que temos de manhã é ainda mais importante para mim!

Acontece que se tem uma coisa que eu amo fazer é exercício físico! Minhas atividades preferidas são correr e nadar, nesta ordem - e nada mais... pelo menos para se fazer diariamente. E já há algum tempo venho tentando acertar a minha volta às corridas. Mas não consigo! Porque para eu poder aproveitar o Luquinha, teria que acordar antes das 6 para ir correr!

Aí o meu marido fala: mas vc fez isso tão bem em outras épocas... E fiz mesmo. Quando corria na praia da Barra com um grupo de corrida, embaixo de sol ou chuva, eu saía de casa com minha amiga Carol para correr às 5h30! Mas eram ouuuuutros tempos!

Então eu procurei saber o preço da academia perto do meu trabalho. Correr na hora do almoço seria uma opção. Mas o que acontece é que a academia custa 3x mais que a academia perto de onde eu moro. TRÊS VEZES MAIS! Sim, é muita coisa.

Aí eu estou nessa fase, me dando, mais uma vez, a chance de tentar acordar cedo, antes de enlouquecer e rasgar dinheiro na outra academia. :p


10 novembro 2012

Pena: o sentimento que não se cala


Sempre pensei muito sobre este sentimento. É um dos mais apavorantes para mim. Sentir raiva, dor, decepção... São sentimentos que a gente vai se acostumando a lidar. A vida nos prepara mais às vezes e mesmo quando somos pegos de surpresa, nos adaptamos, pois é um sentimento nosso. A pena, não. A pena, ao meu ver, se divide com o outro. E é essa parte, a do outro, que incomoda sentir. 

Quando você sente pena de alguém, você rebaixa a pessoa, menospreza ela, a coloca em um nível inferior. Como se nada que você pudesse fazer fosse mudar a posição em que ela se encontra. 

É um sentimento para lá de angustiante. Ninguém te salva da pena. Nada te salva da pena.

E outro dia, estava lendo este texto aqui da Eliane Brum, colunista da revista Época e me deparei com verdades ainda não pensadas antes por mim. 

Então, comecei a pensar sobre isso. É tão comum, realmente, este sentimento quando se trata dos filhos. Eu tenho pena quando ele fica doente e não há nada que eu possa fazer para amenizar sua dor. Tenho pena quando ele ri de alguma coisa que a gente está rindo, sem ter a menor ideia do que estamos falando. Essa inocência é tão linda, que dá pena, quando a colocamos solta nesse mundo mau. Tenho pena quando ele chega perto da Tangerina, nossa cachorrinha, e ela não dá nem ideia para ele. E ele, mesmo assim, é todo sorrisos para ela. E eu sei... esse é só o começo. Ainda haverá muitos momentos nessa vida nos quais eu não terei nada a fazer, senão ser solidária a ele. 

Por isso, posso ter mil momentos de alegria, alguns momentos de raiva e outros de tristeza, mas espero que sejam muito poucos, mas muito poucos mesmo os momentos de pena.

***

Abaixo, o texto da Eliane, na íntegra.


ELIANE BRUM - 05/11/2012 09h10
TAMANHO DO TEXTO

A dor dos filhos

Há um momento mais importante do que a primeira palavra ou o primeiro passo de uma criança: a descoberta do vazio. O que fazemos diante dele é também o que nos torna pais e mães

ELIANE BRUM
Enviar por e-mail
|
Imprimir
|
Comentários
Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista (Foto: ÉPOCA)
No livro “Os enamoramentos”, de Javier Marías (Companhia das Letras, 2012), uma das personagens diz:
 - Os filhos dão muita alegria e tudo o mais que se costuma dizer, mas também, e isso não se costuma dizer, dão muita pena, permanentemente, o que não creio que mude nem quando forem maiores. Você vê a perplexidade deles diante das coisas, e isso dá pena. Vê a boa vontade deles, quando estão a fim de ajudar e acrescentar algo próprio mas não podem, e isso também dá pena. Dá pena a seriedade deles e dão pena suas brincadeiras elementares e suas mentiras transparentes, dão pena suas desilusões e também suas ilusões, suas expectativas e suas pequenas decepções, sua ingenuidade, sua incompreensão, suas perguntas tão lógicas e até a ocasional má intenção que possam ter. Dá pena pensar quanto lhes falta aprender e no longuíssimo percurso que têm pela frente e que ninguém pode fazer por eles, apesar de estarmos há séculos fazendo e não vejamos a necessidade de que todos os que nascem devam começar outra vez desde o início. Que sentido tem cada um passar pelos mesmos desgostos e descobertas, mais ou menos eternamente?  
O fragmento é parte das quatro páginas mais belas deste livro traduzido para o português por Eduardo Brandão. Se você for ler “Os Enamoramentos”, talvez encontre outros momentos de que goste mais. Para mim, o que acontece da página 68 a 71 é, neste livro, o ápice da escritura tão singular de Javier Marías. Não se trata de uma obra sobre o sentimento dos pais diante dos filhos, embora este também seja um “enamoramento”, mas esse pequeno trecho me capturou porque trata de algo que fala aos pais e às mães. E que poucas vezes foi tão bem dito. 
Lembro-me do momento exato em que olhei para a minha filha e senti essa dor, que era a dor que eu achava que pudesse ser a dela ou que tinha a certeza de que um dia seria a dela. Tive minha filha aos 15 anos, o que não me deu tempo de esquecer das dores da infância ou da perplexidade da infância, como pode acontecer com aqueles que se tornam pais em idades consideradas mais recomendáveis. Eu me lembrava tanto da dor quanto da perplexidade, e aos 15 anos ainda não tinha feito o luto de nenhuma das duas. 
Minha filha tinha uns três ou quatro anos e estava sentada no chão tentando brincar. Eu via o seu esforço e via o seu fracasso. Ou talvez apenas estivesse projetando nela o que sabia que seria seu embate mais ou menos eterno. Mas creio que não, acredito que já era angústia o que havia no seu rostinho redondo, já era perplexidade diante da aridez de alguns dias. Lembro-me de que, naquele momento, as lágrimas pingaram dos meus olhos, como de uma torneira mal fechada. Eu soube ali que jamais poderia tapar aquele buraco, que teria de testemunhar para sempre aquela luta íntima na qual cada um de nós está só. Sempre só. Eu assistia a ela desde já, tão pequena, tão frágil, tão confiante no meu poder ilusório, debatendo-se com a vida. E para sempre diante dela eu pingaria como uma torneira mal fechada. Era um momento silencioso entre nós – e as cartas já estavam dadas muito antes de nós. 
Penso que todos os pais que se tornaram pais na modernidade sentem isso – consciente ou inconscientemente. E talvez tornar-se pai e tornar-se mãe se dá também na escolha do que fazer com esse sentimento. Tornar-se pai e mãe porque ser pai e mãe não é algo dado, algo que acontece a partir de um ato biológico, sempre mais explícito para as mulheres do que para os homens. Tampouco basta estar no lugar de pai e de mãe, para além dos laços biológicos. É preciso efetivamente ocupar esse lugar – tornar-se pai e mãe é um processo que não está nem dado nem garantido, exige um contínuo movimento de vir a ser, raramente fácil ou simples.  
É conhecida a dificuldade atual de exercer a função paterna e a função materna, porque é mesmo muito mais difícil ocupar um lugar em um mundo movediço, no qual a tradição já não determina o que devemos fazer acima de qualquer questionamento. E aqui não há nenhuma nostalgia das amarras da tradição, embora ela tenha o seu papel, apenas a constatação de que é previsível que nos percamos quando a pergunta de quem somos deixa de ter uma resposta óbvia. Embora tantos pais busquem nos infindáveis manuais as respostas que já não há tradição para dar, talvez esteja na literatura não as respostas, mas a complexidade das perguntas. Por paradoxal que pareça, me parece que tudo fica mais claro quando se complica.   
É pelo consumo – e aí possivelmente nunca antes como agora – que se tenta tapar esse buraco aberto no peito dos nossos filhos. Um objeto seguido de outro objeto, a ilusão de que algo foi preenchido com duração cada vez mais curta, o desejo pelo produto seguinte cada vez mais imperativo, a frustração sempre abissal entre um e outro. Com alguma imaginação, é possível enxergar um filme de zumbis nas cenas de shopping, pequenos arrastando grandes por corredores iluminados, em busca não de cabeças humanas, mas de mercadorias para triturar com dentes que não estão na boca.   
Mas não protegemos nossos filhos deste vazio, não há como protegê-los daquilo que é uma ausência que nos completa. Penso que este é o momento crucial da maternidade e da paternidade. Cada um de nós, que se sabe faltante, diante da falta que grita no filho. Quando me vi diante desse abismo, como a personagem de “Enamoramentos”, ela num momento muito diverso e muito mais limite do que o meu, lembro-me de me sentir envolta em melancolia. Eu soube ali, naquele instante prosaico em que minha pequena filha procurava por algo que talvez não pudesse ser encontrado em nenhum lugar além dela mesma, que eu haveria de conviver com uma falência dali em diante. Minha melancolia não se devia às dificuldades de uma maternidade precoce – mas à certeza de que proteger minha filha era uma missão desde sempre fracassada. E eu sabia porque eu lembrava – e esta talvez seja uma duvidosa vantagem de ser mãe adolescente. 
Em outro livro, “Noites Azuis” (Nova Fronteira, 2012), este autobiográfico, Joan Didion descreve lindamente essa condição que só se tornaria clara para ela depois da morte da filha. Ao folhear um diário de Quintana, Joan descobriu que o medo da menina era “cair no vazio”. Em vez de aceitar este medo, conectar-se com ele, escutá-lo, a mãe escritora se pôs a corrigir a gramática. Impotente, mas sem aceitar a impotência, mesmo depois da tragédia, ela eliminou furiosamente as vírgulas em lugar errado no texto da adolescente. Quintana já tinha partido, mas ainda era tudo o que a mãe se sentia capaz de fazer diante do pavor da filha de “cair no vazio”.    
Esta mesma menina, muito antes, aos 5 anos, havia ligado para a clínica psiquiátrica mais famosa da região onde a família vivia para fazer uma pergunta devastadora: “O que devo fazer se estiver enlouquecendo”? Durante muitos anos Joan não conseguia compreender por que a filha temia que ela não pudesse protegê-la. Até entender que a pergunta estava errada. A pergunta correta era: “Como ela podia sequer imaginar que algum dia eu poderia tomar conta dela?”
Ao olhar para minha própria filha naquele momento em que eu sabia que a máquina do mundo se abria diante dela para mostrar seu enorme estômago vazio, lembro-me de que, por um momento, pensei em alcançar talvez um outro brinquedo ou lhe oferecer um chocolate (nos anos 80 ainda era possível ser considerada uma boa mãe mesmo dando doces a uma criança pequena, e não uma serial killer nutricional). Mas meu pensamento não virou gesto. Eu sabia que tudo o que eu podia fazer era me manter em silêncio. Que ser mãe, naquele momento, era ser capaz de vê-la debater-se com o vazio, testemunhar o início de seu longo embate vida adentro. E acho que ali, como deve acontecer com os pais e mães que percebem esse momento exato, uma fissura nova se abriu em mim. Esta que para sempre me faria pingar como uma torneira mal fechada.
“Que sentido tem cada um passar pelos mesmos desgostos e descobertas, mais ou menos eternamente?”, pergunta a personagem de “Enamoramentos”, diante da fragilidade dos filhos que, naquele momento, por uma circunstância trágica, lhe era insuportável. E a resposta talvez seja a de que não exista sentido. E exatamente por não existir, só podemos mostrar aos nossos filhos, porque isso é algo que se mostra, não que se diz, que a tarefa de uma vida humana, desde sempre e para sempre, é criar sentido onde não há nenhum. Inventar uma vida é a tarefa que faz de todos nós ficcionistas. E, em geral, uma vida que faz sentido é aquela em que os sentidos são construídos para serem perdidos mais adiante e recriados mais uma vez e sempre outra vez. É o vazio, afinal, que nos faz inventar uma vida humana – e não morrer antes da morte.
É o que fazemos como pais neste momento em que um filho descobre o vazio, um momento mais importante do que a primeira palavra ou o primeiro passo ou o primeiro dente, que também nos torna pais. É preciso aguentar. Saber aguentar e escutar a dor de um filho, sem tentar calar com coisas o que não pode ser calado com coisa alguma, é um ato profundo de amor. Um momento sem palavras em que nosso silêncio diz apenas que a tarefa de criar uma vida que faça sentido é dele, pessoal e intransferível. E tudo o que poderemos fazer é estar mais ou menos por perto, ainda que nada possamos fazer.

E um dia, talvez, receber uma carta/email na qual está escrito: “Mãe: o que eu sempre vi em você era uma pessoa que não desistia do próprio desejo. E que nunca deixou a vida matar a vida”.
Afinal, o que legamos a um filho é o nosso movimento em busca de sentido. E este não pode ser um arrastar-se de zumbi.

Eliane Brum escreve às segundas-feiras.

08 novembro 2012

Dentinhos

Agora são oito!! Acabaram de nascer mais dois, um em cima e outro embaixo! ;) Gostosinho teve febre, seguida de diarréia... Pode não ter nada a ver com os dentes, como insistem os médicos, mas eu acho que tem. hahahahaha

O pequeno já está melhorando! A diarreia foi braba, está tomando até leite sem lactose - eca, não está gostando nem um pouco... mas a fome é maior, então ele toma. rs