17 setembro 2012

Invasão de privacidade. Ou as portas estão se abrindo e o chá sendo servido?

Este artigo foi publicado na Folha Equilíbrio, da Folha de São Paulo, da semana passada e eu achei super interessante, porque é exatamente o que eu penso sobre muitas coisas que vejo acontecendo por aí. Esta psicóloga, Rosely Saião, fala sobre como está cada vez tênue a linha entre as determinações do governo e nossa vida pessoal. O que antes era criado para organizar e manter a paz e civilidade numa sociedade, agora está servindo para nos modelar.

Por que eu acho que o cigarro tem que ser mesmo proibido em local público e tem gente que acha que isso também é se meter na vida alheia? Porque os fumantes passivos são diretamente influenciados, com altos índices de problemas respiratórios e até câncer no pulmão! É diferente, por exemplo, de alguém me proibir de beber um refrigerante com mais de 500ml, como você pode ver nessa matéria do portal Exame. Isso sim, é ultrapassar os limites!

É mais fácil proibir do que conversar, conscientizar as pessoas do que é certo e errado. Pode ser mais fácil, mas é mais eficiente? O governo tem que oferecer espaço público para a prática de exercícios físicos. As ruas da Zona Norte do Rio de Janeiro, nas quais eu brinquei livremente nos primeiros nove anos da minha vida, não são mais seguras para as crianças, que podem ser atropeladas pelos adultos sempre com pressa, podem ser sequestradas por pessoas mal intencionadas, fora os outros perigos... O governo é responsável por fornecer estes espaços.

Sim, na Zona Sul da cidade, o que não falta são esses espaços! Tem a praia, com uma ciclovia gigantesca, com rua fechada aos domingos, tem a Lagoa, com aquela vista incrível, um monte de brinquedo para as crianças, grama etc, tem o Jardim Botânico, que, por seis reais, você passeia por todo o parque, pega um sol, respira um ar puro, tem a Floresta da Tijuca, as Paineiras...

Mas e no resto da cidade? Zona Norte? Zona Oeste (que não está no litoral)?



Isso me leva a outra publicação que saiu na mesma edição da revista, sobre "analfabetos motores". A entrevista é um alerta para os "novos pais" e um puxão de orelha para os pais de crianças maiores. Todo mundo sabe que é importante praticar exercícios, mas quantas pessoas praticam? E os pais que querem impor aos filhos que eles façam exercício, quando os mesmos não fazem? Não estou dizendo que isso não pode acontecer, mas é complicado. Vale a atenção!

Na minha visão, isso começa desde o nascimento do bebê. Não acho também que você tem que ficar igual a um louco em casa, fazendo de tudo para estimular a criança, enchendo o bebezinho de tarefas diárias, aplicando a cada dia uma atividade diferente que você viu na internet. Mas acho que deixar de lado também não é uma boa opção (olha o caminho do meio de novo aí...). É importante saber o que esperar de cada fase, não para ficar neurótico porque seu bebê começou a andar com um ano e meio. Mas para saber qual é a sua parte nessa história.



O que me leva a outra publicação que vi esses dias pelo Facebook da minha dinda, que achei super interessante. Fala sobre "crianças terceirizadas". O vídeo é longo, mas vale muito a pena! Hoje de manhã, minha mãe me deu carona para o trabalho e me disse: você tem que levantar as mãos para o céu por ter tempo de brincar com o Luquinha todo dia de manhã, antes de ir para o trabalho. E eu tenho plena noção disso! Sou privilegiada. Poderia ter que sair muito cedo, quando ele ainda está dormindo. Poderia voltar muito tarde, quando ele já está dormindo. Mas quando saio e quando volto, ele está acordado, doido para brincar, morrendo de saudade. E eu sento ali e fico brincando com ele 100% do tempo que temos livre. 

Acho que o gosto pela brincadeira, pela atividade, pelo exercício começa ali! Começa quando ele aprende a engantinhar. Não, antes, como ele começa a entender que tem mãos, tem pés. Começa quando o pezinho vai à boca pela primeira vez, quando ele segura com as mãozinhas um brinquedo, sozinho.

São três temas, que estão direta e indiretamente ligados, que devem receber TODA a nossa atenção. E é impotante, sim, ter este conhecimento. ;) 

Um beijo para vocês!


 

Um comentário:

  1. Adorei, Julia! Aqui em Manaus não há espaço para se fazer atividade física ao ar livre. Quer dizer, tem, mas, não é bom, principalmente para criança...acho que nessa hora o poder público deve intervir e priorizar espaços e programas em prol da atividade, para, inclusive, diminuir a obesidade futura, que gera vários problemas de saúde e que irá afetar diretamente o próprio poder público, por meio do SUS. Portanto, prevenir é que remediar, sempre!! Beijinhos!!

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