21 agosto 2012

Dermatologia Pediátrica

Pessoal, já falei aqui que eu trabalho com a Sociedade Brasileira de Dermatologia! Eles são cliente da Approach e eu sou o atendimento desta conta! Logo que o Lucas nasceu, era verão e ele teve MUITAS brotoejas! Antes delas aparecerem, apareceu a tal da acne do bebê nele. Bem, numa ocasião e na outra, fiquei tranquila por saber que não era nada sério, mas super incomodada! Achava que não ia melhorar nunca!

Pensei, então, que muitas mães devem passar pelo mesmo que passei e resolvi entrar em contato com a Dra. Luciana Maluf, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que explicou cada uma das doenças de pele que podem acometer bebês!

Brotoeja:

Brotoeja (ou Miliária) é uma erupção cutânea que decorre da obstrução mecânica do suor produzido pelas glândulas sudoríparas, com consequente rompimento e extravasamento deste para a pele. Devido ao calor intenso associado à umidade (transpiração intensa), acomete as áreas do corpo onde há muito contato com a roupa, como o  peito, a barriga, as axilas, o pescoço, a virilha e o bumbum. Se a criança usar chapéu ou boné, a miliária pode aparecer até no couro cabeludo e na testa.

É um sinal de que a criança está com calor demais. Se ela não se refrescar, pode ter problemas mais sérios, como a insolação. Não costuma doer, mas pode coçar bastante. Há três tipos de miliária: a cristalina, a rubra (que é a considerada brotoeja) e a profunda.

Para o tratamento, primeiramente, refresque seu filho. Afrouxe ou tire as roupas dele e o leve para um ambiente arejado e à sombra. Em seguida, resfrie as áreas afetadas com paninhos molhados. Um banho bem fresquinho, até com maisena na água, pode ajudar. Não passe cremes sem orientação adequada de um dermatologista. O uso de pasta d'água pode ser útil e em caso de prurido intenso, creme de corticóide poderá ser necessário. Deixar a criança sem roupa por algum tempo também pode ajudar. 

Não use amaciante nas roupas do bebê, preferindo apenas o sabão de coco. Prefira somente vestimentas de algodão.
Para evitar o quadro ou tentar diminuir sua frequência, mantenha a criança sempre fresquinha no calor, com roupas leves e largas. Sempre que o bebê estiver suando muito, já tome providências para minimizar o suor: coloque-o na à sombra, num lugar arejado, e dê bastante líquido para ele não correr o risco de desidratar. Se mesmo assim, o quadro não ceder, procure um médico especialista.

Acne do bebê:

A acne infantil caracteriza-se geralmente por pápulas e comedões (cravos), surgindo na face e costuma ser de fácil resolução. No neonato, pode ser devido aos hormônios maternos; e no lactante e na infância, pelos próprios hormônios (chamados androgênicos, dos órgãos gonadais ou adrenais). Numa acne persistente, há chance de ficarem cicatrizes; e, quando o quadro for persistente e grave, deve-se procurar a orientação dermatológica para avaliar a necessidade de exames hormonais específicos, em busca de doenças internas que alteram tais hormônios.

Com o tratamento, o quadro clínico tende a se resolver por completo, porém,  é preciso do especialista para examinar, definir adequadamente o tratamento e fazer o acompanhamento da criança. Podem ser usados topicamente: tretinoína, isotretinoína, adapaleno, eritromicina, peróxido de benzoíla, ácido azeláico. Se necessário, tratamento via oral pode ser introduzido. Não passar cremes hidratantes ou que contenham corticóide sem a orientação médica, pois poder induzir à acne.


Embora não haja meios de prevenir as alterações hormonais, sempre que o quadro de acne aparecer, o ideal é já procurar orientação do médico especialista e iniciar o tratamento. 

Dermamtite Seborréica:

O quadro é caracterizado por escamas gordurosas e aderentes numa pele avermelhada. As lesões podem surgir no noenato ou nos primeiros meses de vida. Geralmente os locais mais acometidos sâo: couro cabeludo (chamado de "crosta láctea"), face, pescoço e nuca, tronco, axilas e a área da fralda. Pode apresentar prurido (coceira) nas áreas afetadas e o curso da doença tende à melhora gradual, à medida que o bebê vai crescendo e se desenvolvendo. Num quadro inicial mais intenso acompanhado de sintomas sistêmicos, deve-se procurar avaliação dermatológica, para serem descartadas outras doenças que possam apresentar dermatite seborréica concomitante.

Feito o diagnóstico, clínico, o tratamento deve ser instituído: remover as escamas com óleo mineral aquecido e limpar com água boricada. O uso de um creme de corticóide com ou sem antibacteriano ou antifúngico pode ser necessário, desde que um dermatologista julgue necessário. No geral, não é preciso de terapia sistêmica (via oral).

Evitar o excesso de roupas e de aquecimento é importante, assim como tentar não colocar a fralda caso a dermatite esteja nessa região, até que melhore o quadro.

Assadura:

A assadura (dermatite de fraldas ou dermatite amoniacal) é causada pelo contato da pele com a urina ou fezes da criança retidas nas fraldas ou plásticos. Certas áreas da pele que ficam cobertas pela fralda (normalmente na área genital, nas dobrinhas das coxas e perto do ânus) podem ficar avermelhadas e irritadas. Às vezes, as áreas afetadas têm um aspecto mais ressecado; outras, úmido.Se a assadura comum não for tratada, pode evoluir para algo mais sério, como: micose, candidíase ou infecção bacteriana, por exemplo. 

A principal causa da assadura é a umidade. Recém-nascidos urinam o tempo todo, e também evacuam com frequência. Nem as fraldas com o máximo poder de absorção conseguem tirar toda a umidade do contato com a pele do bebê, que é muito delicada. Se a troca de fralda demorar muito, é quase certo que haverá assadura. Porém, o problema pode aparecer também mesmo com trocas frequentes e com todo o cuidado, dependendo da sensibilidade da pele de cada criança. 

Bebês mais velhos podem acabar tendo assaduras em decorrência de mudanças na alimentação ou por causa de diarréia.

O melhor remédio é manter o bebê limpo e seco, com trocas frequentes de fralda. Se estiver calor, tentar deixá-lo sem fralda por certo tempo. Tomar um pouco de sol na área afetada ajuda na cicatrização -- mas só o sol de antes das 10h e depois das 16h, e por aproximadamente 15 minutos somente. 
Trocar a marca da fralda descartável e usar sabão de coco no caso de fraldas de pano eliminará o problema, se a causa principal for alérgica. 

Uma assadura normal tem de melhorar depois de cerca de dois dias de tratamento comum, com os cremes tradicionais usados para prevenir a irritação (normalmente à base de óxido de zinco, vitaminas A e D, lanolina, calêndula e óleos). Não uasr pomadas com corticóides sem auxílio médico dermatológico. Se depois desse período de dois dias a assadura não tiver ido embora, ou tiver piorado, procurar um médico o mais breve possível, pois deve haver algum outro tipo de infecção, fúngica ou bacteriana, que exija tratamento específico. 
A melhor defesa contra a assadura é ter a região da fralda sequinha. Para prevenir  a dermatite de contato por fraudas, lembrar sempre de trocar a fralda do bebê assim que possível, se ela estiver suja; limpar a região após cada urina ou evacuação deixando-a bem seca antes de colocar nova fralda; pode ser aplicada uma pomada antiassadura (ao invés de talco); não apertar muito a fralda e evite o uso de amaciantes nas roupas do bebê.

2 comentários:

  1. Adorei o texto...
    Otimas explicações...
    Bjs

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  2. Muito legal esse post!!! Bom, eu que moro em Manaus, tenho que estar atenta sempre com o Dan!! Ontem fez 41º...então, imagina, né?! Mas, brotoeja ainda não apareceu. Já assadura sim...principalmente depois que ele começou a ir pra creche porque lá não cuidam igual como em casa...já mandei mil avisos na agenda, mas, não tem jeito! Tem dia que ele chega muuuuito assado!! Valeu pelas dicas, Ju!!!

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