04 junho 2011

Paz



Eu já devia ter escrito sobre isso há muito tempo. Mas coisas aconteceram dentro de mim nessas primeiras semanas de gravidez, que fizeram com que eu fechasse meus sentimentos no lugar mais profundo possível. Nem com o Igor eu falava sobre eles, nem com amigos, nem com ninguém. E é besteira, porque pelo que eu leio por aí são sentimentos normais de início de gravidez. Mas a sempre acha que com a gente acontece diferente. Agora que essa sensação está passando, consigo falar melhor sobre o assunto e, talvez, como sou boa com palavras, consiga descrever com realidade o que estava sentindo.

Só eu e Deus – e o Igor – sabemos o quanto eu queria engravidar. Foi uma vontade que veio tomando conta de mim nos últimos meses. Na verdade, há muito mais tempo que isso, mas nos últimos meses essa possibilidade foi se tornando mais real. Eu e Igor chegamos a fazer algumas contas hipotéticas e percebemos que poderíamos arcar com as despesas de uma pessoa a mais na família.

Em dezembro, quando eu, minha mãe e meu irmão estávamos fazendo nossa tradicional lista de resoluções para o novo ano, não coloquei uma delas no papel, mas só eu sei o quanto ela ficou clara para mim: ter um bebê!

Não coloquei no papel porque não queria que as pessoas vivessem a expectativa de conseguir engravidar junto comigo. É uma expectativa grande, que vem todos os meses, junto com o período fértil e que pode ser um tanto quanto frustrante, algumas semanas depois, quando a menstruação aparece. Fora que eu já havia lido em diversas reportagens que essa pressão pode atrapalhar quem está tentando ter um bebê. Se eu falasse para as pessoas próximas que estava tentando, todos ficariam ansiosos, sempre querendo saber. E eu não queria isso. Então, guardei essa resolução para mim e para o Igor.

Contudo, quando cheguei no trabalho, no primeiro dia útil de 2011, uma surpresa: Carol, minha amiga do trabalho, do mesmo núcleo que eu, está grávida! Ainda brinquei com ela: poxa, Carol, me ferrou, hein! Rs Agora vou ter que esperar pelo menos um pouco. ps. Carolzinha, sua gravidez, que poderia ter me brecado, me ajudou, me impulsionou e eu não consigo nem te dizer o quanto foi e está sendo importante acompanhar tudo de perto! Estou aprendendo tudo meses antes e só eu sei o quanto isso me ajuda! :) 

Conversei com o Igor e ele concordou em aguardar um pouco. Mas no mês seguinte já havíamos desencanado. Se tivesse que acontecer, ia acontecer. Até que... pouco tempo depois, aconteceu!
O Igor é comissário de bordo, viaja bastante. Então, não é difícil para mim saber o dia exato da “confecção do bebê”: 30 de março.

Logo depois que voltei do Carnaval – que passei em NYC com a Fê -, resolvi que ia me dedicar à corrida de verdade. Passei a ir à academia todos os dias, comecei correndo a 8,5km/h, cerca de 30’. E logo estava correndo a 10km/h novamente, por 45 minutos. Pouco mais de 8km por dia. Foi exatamente quando cheguei neste ponto, que minha menstruação deveria aparecer. Mas não apareceu no primeiro dia, nem no segundo, nem no terceiro e quando chegou no quarto eu comecei a desconfiar. Nunca tinha atrasado assim. Não queria fazer o teste de farmácia, pois o Igor estava viajando e eu já havia feito o teste em outras ocasiões, há alguns meses, e havia dado negativo, então eu não queria passar por aquela decepção sozinha. Queria que ele estivesse comigo. 

Tão logo achei que poderia estar grávida, parei de correr. Pensei também que a menstruação poderia não estar vindo porque eu estava, de repente, fazendo mais exercícios físicos do que nunca. Poderia ser hormonal.

O Igor só chegou no domingo, quando minha menstruação já estava uma semana atrasada. A primeira coisa que fizemos foi passar na farmácia para comprar o teste. Chegamos na casa da mãe dele e sem falar para ela, fui ao banheiro fazer o exame. No primeiro segundo que eu coloquei o teste em contato com o xixi, as duas listras que indicam positivo apareceram. Dei um grito chamando o Igor. Ficamos os dois no banheuiro, nos abraçando, donos de uma alegria incontável, indescritíviel! Em seguida, nos perguntávamos: e agora! E agora! Não demorou para contarmos para os familiares mais próximos. Contamos no mesmo dia para os pais dele, irmãos, meus pais, meus irmãos. E logo todos estávamos comemorando! ps. Eu sei que já comentei essa parte no blog, mas, no contexto, é importante relembrá-la.

Mas não foi exatamente este sentimento que me acompanhou nas primeiras 12 semanas, que completo em dois dias (conta-se da data da última menstruação, que foi em 13/03). Eu tinha medo de perder o bebê! Sabia que era comum que isso acontecesse nos primeiros meses. Não conseguia parar de pensar nisso, aí comecei a pensar que eu era neurótica e que seria uma mãe neurótica, porque eu nunca conseguiria garantir que meu filho fosse estar livre de problemas, dos males do mundo, de doenças e pensei que teria essa preocupação para sempre! E é verdade, eu vou ter para sempre essa preocupação. E isso é normal. O problema é que eu comecei a me desesperar e não tinha coragem de conversar com as pessoas sobre isso. Porque elas iam me dizer que eu não devia ficar pensando nessas coisas, que estava tudo bem e iam falar palavras de conforto, mas nada ia adiantar. Então, elas achariam que eu preciso de terapia, ou algo assim. E isso me apavora! Porque eu sempre tive controle de mim mesma. Eu sempre resolvi meus problemas sentimentais e psicológicos sozinha! Então, admitir que eu precisava de uma terapia, era admitir que eu havia perdido o controle!

Criei, então, um casulo e fiquei lá dentro. Minhas amigas logo perceberam que eu me calei no Facebook e ficaram preocupadas comigo. Mas se me encontrassem no dia a dia, encontrariam uma Julia normal. Eu não demonstrava sintomas de tristeza, nem nada disso. Somente preferi me calar, ao ter que falar sobre o que estava passando com dentro de mim.

Até que um dia, amigas muito especiais, Carol e Camila, perguntaram ao Igor se estava tudo bem comigo. E ele veio me contar achando graça, pois, para ele, estava tudo ótimo comigo. Foi quando resolvi me abrir e contei a ele o que estava sentindo. Eu já havia falado com a Camila T, outra amiga muito especial, que queria conversar com ela sobre algumas coisas que estavam acontecendo. Mas a conversa com o Igor apareceu antes disso.

E exatamente o que eu temia aconteceu. Ele me perguntou porque eu estava triste. Triste!! Como alguém que desejou tanto um filho e está grávida dele pode estar triste! Eu deveria estar soltando fogos de alegria todos os dias! Agradecendo a Deus pelo presente maravilhoso que ele me deu! E devia estar pensando só em coisas boas, como é bom estar sentindo todos aqueles sintomas da gravidez, porque isso significa que tem um bebê dentro de mim!

E eu estou - e estive desde o início - me sentindo assim, imensuravelmente feliz. Mas como explicar aquele sentimento paralelo, que, quando eu descrevia, ficava claro que era tristeza::!

Eu não sabia como explicar. Mas há uma explicação: hormônios. E comecei a ler sobre o assunto e vi que é isso mesmo. Os hormônios começam a ficar enlouquecidos e por isso que choramos de repente, por isso que ficamos bravas e tristes e não sabemos dizer porque!

E agora, que esse sentimento está passando, eu estou conseguindo aproveitar a gravidez de uma forma muito melhor! Consigo olhar para roupinhas nas lojas, pensar no quarto do bebê, falar dos sintomas que estou sentindo e que ainda estão surgindo de forma diferente (só agora, por exemplo, que comecei a sentir vontade de urinar a toda hora, mesmo quando não bebo muito líquido).

E posso dizer que essa está sendo a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida! Este ano vai ficar marcado para sempre, não só porque o bebê vai nascer ainda em 2011, mas porque foi o ano em que eu engravidei dele! E a gravidez é o início de tudo, é um milagre, é uma coisa sem explicação!

Ontem tivemos uma mudança de rumos: trocamos nosso obstetra. O que minha tia havia indicado, vai viajar em dezembro e não teremos como fazer o parto com ele. Cheguei no escritório atordoada, estava sem obstetra. Apesar dele ter me indicado uma, eu queria indicação de alguém que já tivesse tido a experiência como mãe. Falei com as meninas e surgiu uma indicação. Indicação, aliás, que caiu do céu! Eu me apaixonei já na primeira consulta e agora tudo parece estar caminhando no rumo certo!

Minha segunda ultra é na semana que vem. Só quem está grávida sabe o quanto é uma eternidade este período entre uma ultra e outra. Parece que tem 10 anos que fiz a primeira. E não vejo a hora de ver como meu bebêzinho está indo!

Ontem, eu e Igor comemoramos 7 anos desde que nos beijamos pela primeira vez. Não comemoramos a data em que o namoro foi oficializado, porque o que importa – e agora, mais do que nunca, isso faz muito sentido – é quando começou toda nossa história! E foi naquele momento, na sala do apt de Botafogo, há exatos 7 anos, que o Lucas ou a Luiza começou a ser gerado!

5 comentários:

  1. Eu ameiiiii... Muito qd fiquei sabendo. Eu sei q esse baby vai trazer ainda mais felicidade para vcs. E para a gente tb... Pq ver quem a gente gosta feliz é especial. Vc sabe que eu sempre disse q vc tinha q ser mãe logo... Kkkkkk... Eu tenho o relaciomento de vcs como um espelho, cheio de carinho,respeito, admiração, amor. Quero que meu casamento funcione exatamente como o de vcs. Estou muito feliz de fazer parte dessa nova fase.

    Um beijo amiga... Mt sucesso como mamãe.

    Amo mt vc.

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  2. Carol, obrigada pelas palavras!! Com certeza, o baby vai trazer mais felicidade ainda para esta casa! E você, hein!! Não está mto longe!! =) Amo vc tb!!!

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  3. Meu amor... ufa... chorando muito com suas vivências, seus sentimentos, suas angústias, vc. não sabe o QUANTO entendo você.Deviamos ter conversado sobre tudo isso.Senti o mesmo medo que vc. nos primeiros meses de gravidez, imagine eu que depois de 7 longos anos havia conseguido, só que minha reação foi diferente. Eu queria que o mundo soubesse, pois o mundo sabendo me protegeria, correria para me ajudar caso precisasse, ficariam tão presentes e felizes que nada poderia tirar aquele momento, aquela pessoinha se formando dentro de mim. Cada um tem uma reação, cada um tem um sentimento, mas uma coisa é comum a todas nós mulheres, temos um pavor imenso de não vermos aquele embriaozinho dentro de nós. Vc. como sempre escrevendo lindamente, poéticamente, sua avó ficaria orgulhosa. Agora então podemos CONTAR AO MUNDO kkkkkkkkkkk, podemos comemorar com o MUNDO, e ver essa linda barriguinha crescer e nos encher de orgulho, lágrimas e amor. TE amo minha linda e quero muito ver vocês 3 juntos numa foto perfeita na maternidade kkkkkkkk. Beijo enorme.

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  4. Amiga querida que eu tanto amo! fico emocionada ao ler e com certeza, mesmo que de londe, sentir tudo isso! Sua felicidade, plenitude e paz que você e o Igor passam para nós é a maior afirmação deste amor .... estarei sempre do seu lado! Sei que as vezes demonstro ser MUITO pé no chão, mas sou uma manteiga mole por dentro, lendo isso então... fui às lágrimas de ALEGRIA!! Parabéns minha linda! minha soul mate carioca! saudades 10000! beijo grande para vc, Igor e Lulu beijos, Cacau

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  5. Julia, estou tentando ficar em dia dentro do possível. Acho que você agora tem que respirar aliviada que as 12 primeiras semanas já passaram e desfrutar de cada momento, porque a vida é isso: uma coleção de experiências. E essa é uma experiência verdadeiramente especial. Eu até hoje adoro escutar a minha mãe contando para mim cada detalhe da "minha" gravidez, de como ela se sentia, do momento em que ela estava na vida dela, da relação dela com meu pai, do dia do parto, e tudo mais. Pensa nisso. Seu filho vai adorar escutar essa história muitas e muitas vezes... Beijos

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