28 fevereiro 2018

das nove às dez


entro na nossa rua sempre ansiosa, já com o controle do portão na mão, pensando que a qualquer momento vou chegar em casa e encontrar meus bagunceirinhos. Entro na garagem, penso em colocar o carro na primeira vaga que vejo. Mas lembro daquela chuva que tivemos há algumas semanas, penso que é melhor colocar na minha vaga mesmo, coberta. Já saio com a chave de casa na mão, e quase corro para o elevador. abro a porta de casa e "silêncio". Penso: "será que já dormiram?" e fico um pouco triste. Mas ouço uns barulhos no quarto e de repente um "mamãeeee". Foi Luquinha. Ele olha para Lulu checando se ela está se preparando para correr ao meu encontro. Porque ele quer chegar antes dela. Rindo, ele vem correndo e me abraça. Dou aquele abraço gostoso, apertado, demorado. De quem ficou o dia inteiro esperando por esse momento. Vem Lulu em seguida: "mamanhê, mamanhê", sem abraços imediatos porque ela quer me mostrar algo. Me dá a mão e me leva até o quarto dela. Pega brinquedos e começa a rir, pular, fazer graça. Rio, brinco, curto a graça e peço um beijinho. Ela vem com todo o amor do mundo e me dá um beijo estalado.

já está na hora das crianças dormirem. estão de dente escovados quando chego em casa. já lancharam, já viram desenho. é só deitar e dormir. Apago as luzes, desligo a TV e deito com eles. Mãos dadas com Luquinha, deito na cama da Lulu, embaixo, ao lado dela. Entre os dois. Lulu se aconchega, vem e me dá vários beijinhos. Sem eu pedir. Eu morro de amores. Luquinha pede que eu cante uma música. Sempre as mesmas; Teresinha de Jesus e Se essa rua fosse minha. Canto como se fosse a primeira vez. Mal terminei de cantar e ele já está dormindo. Lulu quer brincar, eu falo baixinho e digo que temos que dormir. Ela fala baixinho demonstrando que entendeu. Mas em seguida dá uma gargalhada de algo que fiz. Faço de novo porque quero ouvir aquela gargalhada novamente. O pai vem ao quarto: "achei que estavam dormindo, estão brincando?". Dá um beijo na gente, repara que Luquinha já dormiu. "Estava cansado", comenta. Sai do quarto. Fico em silêncio, Lulu faz carinho na minha orelha e no meu braço. Pega no meu cotovelo. Lembro da prima Sossô, que faz isso com os pais até hoje na hora de dormir. Passa alguns minutos e ela adormece.

Saio do quarto feliz. Como é valioso cada segundo desse nosso intenso relacionamento. <3

26 fevereiro 2018

o primeiro ano do Luquinha


Na última semana tive a primeira reunião do ano letivo do Luquinha, que chegou ao primeiro ano em 2018. A reunião mais esperada de todas - talvez a primeira reunião do maternal I dele tenha sido igualmente esperada... difícil comparar - e sabe o que aconteceu? Estamos com um surto de conjuntivite no Rio de Janeiro e a professora dele estava em casa com suspeita de ter pegado a doença. Começamos a reunião levemente desapontados devido a essa informação, mas qual não foi nossa surpresa quando a coordenadora pedagógica nos chega com um texto sobre quando nossas expectativas não são atingidas e precisamos encarar o dia com fatos novos. Pertinente. =) Não só para a falta da professora, mas para tudo que está relacionado ao tão esperado primeiro ano, quando a alfabetização chega.

Dedicação, disciplina e paciência foram algumas das palavras dadas por nós, pais, para a coordenadora que pediu para dizermos o que levaríamos na bagagem dessa incrível viagem. Como disse aqui há alguns posts, Lucas começou a avançar etapas neste sentido de ler e escrever no ano passado ainda. Nós, muito orgulhosos, ficamos felizes e conversamos com amigas pedagogas e professoras sobre o assunto. Respeitamos o tempo dele, não tentamos antecipar etapas, não forçamos nada. Mas ficamos, é claro, orgulhosos de vê-lo conquistando essas habilidades.

E esse mundo novo que se abre à sua frente com a leitura, a escrita... É emocionante! Se por fora me comporto e sigo o ritmo proposto pela escola e por ele mesmo, por dentro fico ansiosa e imaginando quando ele chegar em casa com seu primeiro texto. É engraçado, mas eu lembro da minha primeira redação. Era sobre uma menina numa caverna. Lembro como se fosse hoje, chegando em casa com a redação corrigida. Eu tinha tirado 10. Não tenho a redação comigo, não sei se estava bem escrita, apesar de saber que não estava com erros de português. Só o que lembro é de todo mundo elogiando bastante o que escrevi, lembro de como me senti bem, segura, feliz.

Tanto durante a adaptação da Lulu, como na reunião do Luquinha, ouvi das educadoras: reforce o positivo, sempre. Elas nos orientam muito a evitar o negativo, a não reforçar mensagens negativas no dia a dia, das menores às maiores situações. Acho que tem a ver com isso. A infância pode ser muito difícil. Toda insegurança que nós temos, tudo que estamos aprendendo... Mas quando você tem pessoas que te encorajam, que estão ali com você... Isso é tão fundamental!

É um ano de grandes avanços para meu pequeno. Alfabetização, aulas de conversação de inglês, foi para uma escolinha de futebol mais à vera do que as outras até hoje e está na primeira turma "à vera" da natação também. É como se a vida estivesse começando de verdade para ele. <3

E nós estamos aqui para o que der e vier, meu filho! Pode contar conosco, hoje e sempre! Te amamos muito!!!

25 fevereiro 2018

chupeta Lulu

Apenas passando para registrar que estamos sem a chupeta desde a sexta-feira de Carnaval, aproximadamente duas semanas atrás. Lulu choramingou um pouquinho nos primeiros dias, mas em nenhuma noite ou em nenhum momento de dormir chorou, de fato, porque estava sem a chupeta. Parte de mim sofre por ver que estamos deixando aos poucos o bebezinho para trás, parte de mim fica feliz em saber que Lulu se adapta bem às mudanças necessárias da vida. <3

ela, nossa Luiza



Luluzinha, 

cerca de dois meses atrás, quando vocês entraram de férias, você simplesmente decidiu que não queria mais almoçar, nem jantar. A única condição para você fazer essas refeições foi estabelecida por você mesma sem meio termo: tinha que haver 80% de ovo envolvido. Podia ser ovo mexido, ovo frito, omelete e até mesmo uma fritada com alguns alimentos misturados. Mas sem ovo não havia refeição.

Fiquei logo preocupada. Como um bebê da sua idade poderia ficar sem as principais fontes de ferro? Não demorou até que agendássemos uma consulta à nutricionista e à pediatra. Ambas nos tranquilizaram e explicaram que era comum essa seleção na sua idade. Você está descobrindo que tem poder de decisão, que tem preferências, gosto próprio. É lindo de ver. Mas a beleza da fase não exclui toda a preocupação que tivemos com você neste período.

Felizmente, na última semana, um dia antes das suas aulas recomeçarem, você simplesmente, de um dia para o outro, voltou a aceitar os alimentos, que nunca deixamos de oferecer nestes dois meses. E agora come como se nada, simplesmente nada tivesse acontecido. rs

E embora as refeições tenham sido um problema, você não deixou de comer frutas, sua paixão, nem de comer queijos, iogurte, doces, biscoitos etc. Tivemos que cortar, inclusive, os doces do seu dia a dia. Você amava Danoninho, my fault, sorry. Tivemos que abrir mão dele na sua dieta e na dieta do Luquinha. Mas, acredite, foi melhor assim. 

A nutri também sugeriu que trocássemos os lanches doces, como biscoito de maizena e coisas parecidas, por opções salgadas. Fizemos isso, parece que deu certo. =) 

Antes de você nascer eu fiz terapia por um período e li alguns livros sobre a maternidade sob o ponto de vista da psicanálise. Neste período, entendi que por vezes criamos rótulos para nossos filhos, limitando-os de certa forma a ser o que esperamos que eles - vocês - sejam. Entendo que pode ser inevitável passar por esse processo, embora eu tente me controlar. E esse rodeio todo é para dizer que... nestes 22 meses de vida que você tem até agora, já demonstrou em inúmeras ocasiões que é decidida, sabe o que quer e não se dá por vencida facilmente. Eu já disse algumas vezes para as pessoas "neste mundo em que vivemos, ela, enquanto mulher, só tem a ganhar sendo assim". E é realmente o que eu acredito. Não sei como você será quando adulta, a gente muda tanto ao longo da vida, é praticamente impossível prever como um bebê será quando tiver 32 anos, a idade que tenho hoje.

Seja como for, o que eu desejo para você (hoje, amanhã, quando estiver lendo esse texto e para a vida inteira) é segurança, autoconfiança e que seja claro que tudo que precisa para ser feliz está aí dentro e não aqui fora.

No mais, eu te amo muito, muito, muito, muito!!! <3 <3 <3



Lulu está numa fase tão gostosa! Adora cantar, embora não fale muitas palavras ainda, distribui beijinhos para todo mundo que pede, é uma espoletinha, adora dançar, aprendeu a pular recentemente com os dois pés, é tão carinhosa e adora fazer palhaçada para todos rirmos. O cabelinho está crescendo e consigo fazer umas marias xiquinhas... Embora muitas pessoas discordem, ela me lembra tanto a mim mesma quando criança, pelas fotos que tenho da minha infância nessa fase. Espero que vc tenha acesso a elas, Lulu, para poder chegar às suas próprias conclusões. rs 

Essa semana tive o prazer de passar quatro dias na escola acompanhando a rotina dela de perto - e ainda ganhei de brinde encontrar Luquinha pelo corredor na hora do recreio todos os dias. Esse momento é simplesmente mágico para mim. Primeiro porque posso passar mais tempo perto deles, depois porque a escola por si só é um lugar com uma energia tão, mas tão boa!! Nitidamente Lulu lembrava de detalhes da escola, apesar de ter ficado mais de dois meses longe. E isso, é claro, facilitou a adaptação, o que, para mim, é um conforto. Saber que ela é tão feliz ali. :)

Dia desses eu pensei: acho que se eu tentar ela já topa dormir sozinha, sem eu precisar ficar no quarto. Cheguei a tentar, mas Luquinha me chamou e pediu para eu ficar ali até eles adormecerem. Como negar um pedido tão genial para todos nós? Para que apressar essa etapa, não é mesmo? Vou lá, fico com eles até dormirem, conto histórias, compartilho lembranças da minha vida, canto músicas, faço muito carinho... E é uma das sensações mais preciosas do meu dia!

12 janeiro 2018

Feliz aniversário, mamãe!


Hoje de manhã eu falei para minha mãe: obrigada por ser quem você é. Nós somos, vós sois, eles são (apontando para a Lulu e para o Luquinha) e serão por sua causa. E digo isso com o peito cheio de orgulho. Foi aniversário dela ontem e eu sempre faço uma homenagem nas redes sociais. Mas recentemente me comprometi comigo mesma que as deixaria por um tempo (as redes sociais). Tempo este que não estabeleci, mas que sinto ainda ser necessário. Estou bem sem elas, elas estão bem sem mim e seguimos desta forma.

Mas não me aguentei - assim como não me aguentei e quis vir aqui correndo postar a foto do réveillon em família - e vim aqui neste espaço que tanto amo para falar dela. Porque a gente tem, sim, nossas diferenças - quem não tem? Mas eu identifico e valorizo cada contribuição sua em minha vida e agora, com filhos, identifico o legado, as coisas que aprendi com ela e repasso para eles. Até mesmo os aprendizados que teve de mãe para avó - e que eu também terei, espero -, que vivencio e observo, que aprendemos juntas, entram nessa história.

O carinho e a atenção, a amizade, a cumplicidade, o amor, a preocupação, dedicação que minha mãe sempre teve, e ainda tem, comigo e com o Rafa, estão refletidos em momento que vivo com as crianças. E isso é maravilhoso. O que mais precisamos, se não de amor e atenção?!

E, como se não bastasse essa conexão ser tão forte, a maternidade a fortaleceu ainda mais. Porque enxerguei situações pelos olhos dela e me encontrei em virtudes e falhas de forma que nunca havia imaginado. São as palavras, aquelas conhecidas palavras "um dia você vai saber do que estou falando" se fazendo valer.

Não somos iguais. Ora, extremamente parecidas. Ora, extremamente diferentes. Não é sempre que olho para mim mesma como mãe e a vejo. E se, conscientemente, anos atrás, decidi que determinadas coisas eu faria diferente se um dia fosse mãe - e sigo desta maneira -, outras coisas que eu também decidi que faria diferente, acabei fazendo igual. E tudo bem. Tudo bem pagarmos a língua, tudo bem fazermos diferente, tudo bem gostarmos de fazer igual.

Porque essa segurança que eu tenho, que basta amar meus filhos, basta fazer as escolhas com o coração para saber que estou no caminho certo, foi ela quem me deu.

Parabéns, mamãe! Te amo demais. <3

01 janeiro 2018

Feliz ano novo!


Li dia desses que as pessoas abandonam suas resoluções de ano novo até o oitavo dia do ano porque confundem resoluções com punições. Acabam colocando na lista coisas que só lhes levam a momentos desprazerosos, como acordar diariamente 5 da manhã para ir malhar, parar de comer doce totalmente ou coisas do tipo. Já fiz inúmeras listas como essas e parei quando percebi que nunca, nunquinha conseguia cumprir. Minha mãe já é mais objetiva, coloca na lista coisas bem específicas e sempre no fim do ano tem a lista em mãos para dar um check em tudo que conseguiu conquistar.

Neste ano não fiz lista e não esperei a virada do ano para colocar em prática o que desejei para 2018. Liguei para amigas, as encontrei, nos divertimos, e aos 45 do segundo tempo me desprendi do meu maior vício - quem nunca: publicar minha vida inteira nas redes sociais (é tão viciante que eu deixei de estar lá, mas vim aqui contar rs). Eu amo as redes sociais. Adoro saber o que meus amigos estão fazendo, adoro contar as coisas que faço, as gracinhas das crianças, compartilhar as fotos maravilhosas que tiro delas... Mas quando paro e percebo quanto tempo dedico a isso, vejo que não estou vivendo a vida, mas apenas registrando para os outros que ela está acontecendo.

Não é questão de concordar ou não concordar com elas, em estar certa ou errada, nem nada disso. A realidade é que esse tipo de coisa é muito pessoal, neste momento está fazendo mal para mim e é por isso que resolvi parar. Não saí delas, não quero estar fora, não quero perder todo histórico que tenho ali, não quero não ter a chance de ir ver as fotos, saber o que está rolando, quando tiver vontade. Simplesmente as tirei do meu celular. Não sei quanto tempo vai durar, não sei se vai durar, não sei se vai ser bom ou ruim. Os familiares certamente sentirão falta de saber das crianças, mas pretendo me adaptar.

Além disso, estou lendo um livro - uma quadrilogia, na verdade - que está me fazendo pensar muito no quanto eu amava escrever, amava fazer análises complexas sobre a vida, sobre as coisas, política, comportamento... E nunca mais escrevi mais que um parágrafo. A maior parte das minhas fotos é, na verdade, acompanhada de legendas de emojis. Quanta preguiça... Escrever bem não é apenas um dom, é um exercício que quando não praticado se esvai.

E eu tenho tanta coisa que quero contar além de fotos registros do meu dia a dia... Meu pensamento borbulha o tempo todo, eu não paro de pensar um só segundo. São lembranças, projeções, constatações, e fica tudo aqui dentro da minha cabeça. Às vezes sento em frente ao computador para fazer posts para o blog sobre esses pensamentos e só consigo pensar mais. Fico parada, sem tocar no teclado e minutos depois fecho o note... Às vezes me falta força, poucas vezes me faltam palavras, mas na maior parte das vezes me falta o costume.

Não sei como será 2018. É claro, espero que seja um ano iluminado, espero que as pessoas se preocupem mais umas com as outras genuinamente e não só quando precisam de um favor. Espero que a empatia deixe de ser uma palavra da moda e se torne de uma vez por todas um sentimento, espero que a religião seja uma ferramenta para que as pessoas se tratem bem e não algo que traga morte e dor, espero que a Copa do Mundo seja um momento de união dos povos e não um poço de corrupção, espero que as eleições sejam um marco na história do país e tragam esperança para todos nós. Não sei como ele será, nem para mim, nem para você, nem para o mundo. Mas espero o bem, espero saúde, amor e paz.

E tenho minhas metas pessoais, mas neste ano resolvi não colocá-las no papel. Apenas mentalizar e acreditar, continuar tomando as decisões com o coração, pois dessa forma dificilmente falharei.

Um feliz 2018 para todos nós! Que seja um ano de LUZ!

04 dezembro 2017

e o Natal se aproxima




























Montar a árvore de Natal - meu momento preferido do ano, que fique registrado - aqui em casa é tradição. Fazemos juntos, sempre. Agora, com a ajuda também da Lulu. Ainda mais bagunça do que ajuda, mas isso não importa muito. ;) Coloco uma música Natalina e vamos embora. Luquinha adora ser o responsável por colocar a estrelha no topo e as guirlandas nas portas. Em breve ele terá que compartilhar esse posto com Lulu.